quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Bituca também é lixo!

Postado em 24/01/2012 por CICLOVIVO


Foto: Dyscovery News

O “lançamento de bitucas” é um dos esportes mais praticados por fumantes no Brasil. No entanto, esse resíduo aparentemente pequeno pode causar grandes danos ambientais e deve ser destinado corretamente, assim como os detritos recicláveis ou orgânicos.

É óbvio que o local apropriado para o descarte das guimbas, como as bitucas são popularmente conhecidas, não são as ruas. Ao entrar em contato com a água, as substâncias que compõem o cigarro, como o arsênio, por exemplo, podem atingir lençóis freáticos ou até mesmo permanecerem armazenadas nas superfícies de plantas e animais. Segundo o biólogo Aristides Almeida Rocha, duas bitucas são suficientes para contaminar o equivalente a um litro de esgoto.

Essas pequenas pontas de cigarro podem permanecer por até cinco anos na natureza até se decompor. Assim, mesmo que não entrem em contato com os recursos hídricos, os contaminantes podem atingir o solo ou prejudicar animais, que acabam se alimentando do material. Existe também a questão estética, já que é comum ver paisagens maravilhosas sendo estragadas por conta de bitucas jogadas no chão.

Uma das desculpas mais usadas pelos fumantes que não têm consciência ambiental é a falta de lixeiras espalhadas pelas cidades. No entanto, este não é motivo para que elas sejam simplesmente jogadas nas ruas. Existem bituqueiras e outras alternativas que podem ser usadas para armazenar estes resíduos até que se encontre o local correto para o seu descarte. Uma das opções simples é reaproveitar tubos de filmes fotográficos, que manterão as bitucas vedadas e impedirão que o odor se espalhe pelas bolsas.

Outra sugestão é segurar a guimba até que uma lixeira seja encontrada. Aliás, isto deve ser aplicado ao descarte de qualquer resíduo. A última opção, para quem quer ser mais “educado”, mas não quer ter o trabalho de carregar um bituqueiro ou segurar a ponta do cigarro até encontrar uma lixeira, é parar de fumar. Assim o meio ambiente e a saúde serão preservados. A redução no consumo de cigarro influencia a utilização de recursos naturais em sua fabricação e também a quantidade de dinheiro público gasta para limpar bueiros entupidos por bitucas ou tratamento da água contaminada.

Quando as pontas dos cigarros são descartadas da maneira correta, elas podem passar por tratamentos que retiram os elementos químicos e qualquer outro item que possa ser contaminante e transforma-as em matéria-prima. Em alguns casos elas se tornam papel, artesanato e até mesmo tecido.

Bituca também é lixo, portanto merece ser descartada no local correto: o lixo e, de preferência, o reciclável.


Por Thaís Teisen - Redação CicloVivo

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Relação dos brasileiros com a água é a pior possível

Em bate-papo sobre O Futuro da Água - promovido pela National Geographic Brasil, com o apoio do Planeta Sustentável -, especialistas afirmam que a relação que a população tem com a água está longe de ser satisfatória, o que acarreta em problemas de distribuição e contaminação e, ainda, em tragédias ambientais, como as enchentes ocorridas no início deste ano. O encontro ainda marcou o lançamento da edição especial da revista NG sobre o tema

Débora Spitzcovsky - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 23/03/2011

No dia 22 de março de 2011, comemorou-se, mundialmente e pela 18ª vez consecutiva, o Dia da Água. Para celebrar a data, a revista National Geographic Brasil lançou sua edição especial e reuniu especialistas para bate-papo sobre O Futuro da Água, com o apoio do Planeta Sustentável. Com mediação de Matthew Shirts, redator-chefe da revista e coordenador do nosso movimento, participaram do encontro Mário Domingos, pesquisador do Instituto Sangari e curador científico da exposição "Água na Oca", Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, e Renato Tagnin,consultor ambiental e co-organizador do livro Administrando a água como se fosse importante.

Durante a conversa, os participantes deixaram claro que, apesar de possuir água em abundância - afinal, o Brasil abriga 11% de toda a água doce do planeta e menos de 3% da população mundial -, o país não tem tantos motivos para comemorar o Dia Mundial da Água. Pelo contrário. "O primeiro grande problema diz respeito à distribuição do recurso no país. Apesar da água doce ser abundante no Brasil, ela está concentrada na região norte e, portanto, distante da maioria da população", explicou Mário Domingos. Mas o problema não é apenas geográfico: "Nos grandes centros urbanos, o consumo do recurso é excessivo, o que faz com que os reservatórios não consigam dar conta de toda a demanda da população, e a pouca água que temos está cada vez mais contaminada, por falta de consciência das pessoas e, também, de sistemas de esgoto adequados", completou o pesquisador do Instituto Sangari.

O problema do saneamento básico no país foi citado pelo presidente-executivo do Trata Brasil, Édison Carlos. Segundo o especialista, o Brasil é o 9º colocado no Ranking Mundial da Vergonha, que lista as nações que possuem o maior número de habitantes sem acesso ao banheiro. "São cerca de 13 milhões de brasileiros que, atualmente, fazem suas necessidades a céu aberto. Nós só perdemos para países muito podres da Ásia e da África, como a Nigéria. É realmente uma vergonha! Nem parece que somos a potência em progresso que aparece todos os dias nos noticiários. A cobertura de saneamento no Brasil não condiz com uma nação que aspira ter destaque global", disse Carlos.

Ele ainda citou um outro ranking mundial, o do IDH - Indíce de Desenvolvimento Humano, em que o Brasil também não está bem colocado por culpa da falta de saneamento básico. "Ocupamos a 73ª posição nessa lista. Além do aumento da renda do país, o que nos levaria para uma melhor colocação no ranking seria a diminuição da mortalidade infantil e melhorias na educação: dois fatores altamente relacionados ao saneamento básico", opinou Carlos, com base em dados divulgados pelo próprio Trata Brasil, que atestam que diariamente sete crianças morrem no país, vítimas de diarréia, por morarem em lugares que não possuem coleta de esgoto. E mais: os pequenos que ficam expostos a esse tipo de resíduo aprendem 18% menos.

No bate-papo, Renato Tagnin lembrou de outro grande problema que o país enfrenta, quando o assunto é água: a ocupação urbana nas áreas de várzea dos rios. "Em nome dos interesses imobiliários, essas regiões estão sendo aterradas. Pensamos que podemos medir forças com a natureza, que a tecnologia e a arquitetura poderão resolver qualquer problema, mas não é bem assim e as enchentes são prova disso. A prevenção deveria ser prioridade na gestão da água. Antes de nos preocuparmos onde ‘enfiaremos’ a água da próxima enchente, deveríamos lutar por cidades mais compactas", afirmou o especialista.

Segundo Tagnin, entre os prejuízos que a ocupação urbana em áreas de várzea pode trazer para os moradores da cidade, além das clássicas enchentes e inundações, estão:
- a maior vulnerabilidade à contaminação das águas subterrâneas, já que, por não serem regiões urbanas, essas áreas não possuem serviços de saneamento adequados, o que faz com que os dejetos sejam jogados a céu aberto, contaminando os lençóis freáticos;
- o aumento das ilhas de calor, que, além de intensificarem o aquecimento global, desregulam e aumentam o volume das chuvas e
- o aumento da contaminação da água da chuva, que, para continuar limpa, deveria cair em regiões de manancial, mas ao cair em áreas urbanas se contamina com a poluição atmosférica antes mesmo de chegar ao chão.

COMO RESOLVER O PROBLEMA?

Conscientizar a população é fundamental para resolver os problemas relacionados à água no país, na opinião de todos os especialistas presentes no bate-papo promovido pela National Geographic e pelo Planeta Sustentável. "As questões de saneamento básico são responsabilidade da prefeitura, mas o problema não é apenas político. O governo se pauta pelo olhar do cidadão e também se aproveita da sua falta de olhar. Muitas pessoas não exigem ações de saneamento básico porque enxergam essa questão, apenas, como uma conta a mais para pagar no final do mês. Enquanto elas não forem conscientizadas de que se trata de muito mais do que isso, de que saneamento é questão de saúde e educação, as coisas não vão mudar", disse Édison Carlos, que ainda completou: "A estrutura de saneamento básico no Brasil possui uma defasagem de mais de 20 anos, porque, além de não haver interesse político, há pouca cobrança da população".

Como exemplo dessa situação o profissional do Trata Brasil lembrou que, há quatro anos, o PAC destinou R$ 40 bilhões para as prefeituras investirem em questões de água e saneamento, mas até hoje só 3% dessas obras foram concluídas. "O dinheiro está lá, mas as coisas não são feitas porque falta vontade política e interesse da população. É preciso cobrar! Afinal, pagamos impostos para isso", afirmou Renato Tagnin.

Mas, para o pesquisador do Instituto Sangari, Marcos Domingos, apenas conscientizar a sociedade sobre a importância da água e do saneamento básico não é suficiente. "Esta é só a primeira etapa de um problema muito mais complexo. É preciso fazer as pessoas, de fato, mudarem seu comportamento. Quem fuma, por exemplo, sabe dos malefícios do cigarro, mas ainda assim o traga. Ou seja, além de conhecer a importância da preservação da água, as pessoas precisam aprender a tratá-la bem e isso só é possível com a educação", disse o especialista, que ainda acredita que os jovens devem ser o foco dessas ações educativas. "Afinal, serão eles que escolherão os próximos representantes responsáveis pela gestão da água no país", completou.

A INICIATIVA PRIVADA PODE AJUDAR?

Na segunda parte do encontro, os três especialistas responderam perguntas e também debateram a respeito da contribuição que as empresas privadas podem dar ao país, quando o assunto é água e saneamento básico. "Essa é uma questão polêmica, porque muitos acham que, por ser um bem público, a água deve ser gerida, apenas, por empresas do governo. Eu discordo. Para nós, do Instituto Trata Brasil, não importa se o apoio é público ou privado, mas, sim, se é eficiente. Ou seja, se as empresas privadas ajudarem a melhorar os serviços de água no país, por que não?", questionou Édison Carlos.

Segundo ele, se forem realmente sérias, as companhias privadas podem oferecer muitos benefícios para o setor, já que, por possuírem contrato de concessão, elas só ganham dinheiro caso cumpram as metas estabelecidas no documento. "Isso aumenta o empenho das empresas. E tem mais: por terem menos funcionários do que as companhias públicas, elas têm mais chances de acumular capital - porque pagam bem menos salários - para investir na melhoria dos seus serviços", acrescentou.

O pesquisador do Instituto Sangari, Marcos Domingos, concorda com Carlos e ainda lembra que muitas empresas privadas já estão realizando ações em prol da conservação da água. "Afinal, elas dependem do recurso para produzir e, consequentemente, ganhar dinheiro. Felizmente, cada vez mais companhias estão vislumbrando isso e apostando na preservação da água", concluiu.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tons da Natureza



A chácara e sua natureza perfeita - Foto tirada por mim em 07/08/2011

Produção de biomassa a partir da cana pode duplicar em 10 anos



No Brasil existem 440 usinas sucroalcooleiras e apenas 90 delas comercializam a energia produzida pelo bagaço da cana l Foto: Sweeter Alternative / Flicker

A biomassa pode ser um dos grandes trunfos brasileiros no que diz respeito à geração de energia limpa. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), nos próximos dez anos a produção de energia a partir do bagaço da cana deve dobrar no Brasil.

O potencial nacional em produção de biomassa é muito grande. Aqui existem 440 usinas sucroalcooleiras e apenas 90 delas comercializam a energia produzida pelo bagaço da cana. Para que essas usinas, que hoje produzem apenas a energia necessária para a autossuficiência, passem a comercializar energia limpa é necessário contar com incentivos governamentais, conforme explicado pelo diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Luiz Gonzaga Bertelli.

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) já está atenta a este mercado e anunciou crescimento para os próximos dois anos. Segundo a empresa, o bagaço da cana será a matéria-prima usada para a produção de 400 MW de energia, em um parque que produzirá 1.505 MW de energia renovável.

Atualmente o Brasil produz 4.496 MW com os resíduos da indústria sucroalcooleira, mas a EPE garante que esse potencial deve chegar a 9.163 MW até o fim desta década. A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) é ainda mais confiante e acredita que a produção possa chegar a 13.150 MW, montante superior ao que é produzido na Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Outro fator importante no uso do bagaço da cana-de-açúcar é que a safra ocorre no período de seca, quando as usinas hidrelétricas estão operando em baixa capacidade. Entre as vantagens também está a possibilidade de comercializar créditos no mercado de carbono e os valores necessários para o investimento serem reduzidos, em comparação a outros tipos de energia limpa. Com informações do Ribeirão Preto Online.

Redação CicloVivo

domingo, 4 de dezembro de 2011

6 problemas causados pela perda da biodiversidade



Imagem: Fernanda D'Addezio (CicloVivo) / Flickr


O site norte-americano TreeHugger listou seis problemas ocasionados pela redução das espécies da fauna e flora. O problema já é antigo, mas ainda existe. Em 2007, o Ministro Federal do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel, estimou que 30% de todas as espécies estariam extintas até 2050.

Este é apenas um dos cenários criados por especialistas, mas existem números ainda mais alarmantes, como a possibilidade de 140 mil espécies serem perdidas a cada ano. Por este motivo, alguns estudiosos chamam o período atual de “sexta grande extinção”.

A lista que segue mostra como a humanidade é afetada por esta falta de cuidado com a biodiversidade.

1. Custo econômico da biodiversidade perdida

No topo da lista está o valor monetário da biodiversidade em todo o mundo. O ecossistema possui funções específicas, como: polinização, irrigação, recuperação do solo, entre outras coisas. Porém, com diversas áreas afetadas, a natureza não suporta exercer adequadamente todas estas atividades. O custo estimado por causa deste prejuízo natural varia de US$ 2 a 5 milhões por ano, em todo o mundo.

2. Segurança alimentar reduzida

A redução da biodiversidade não ocorre somente por meio do desmatamento ou da caça predatória. A introdução de novas espécies também aumenta a concorrência com os habitantes locais e, muitas vezes, leva populações nativas à extinção. Em grande parte do mundo isso ocorre em fazendas, com raças estrangeiras de gado sendo importadas, empurrando para fora os nativos.

Isto significa que a população mundial de gado é cada vez menor, e mais vulnerável a doenças, secas e mudanças climáticas.

3. Maior contato com doenças

A perda da biodiversidade tem dois impactos significativos na saúde humana e na propagação de doenças. Primeiro, ela aumenta o número de portadores de doenças animais nas populações locais. A mudança nos habitats, normalmente, torna as espécies infectadas mais comuns e faz com que elas prevaleçam sobre as espécies saudáveis.

Ao mesmo tempo, esta fragmentação nos habitats coloca os próprios seres humanos mais próximos do contato com os animais portadores de doenças.

4. Clima imprevisível

A previsão do tempo tem muito mais importância do que apenas influenciar a decisão por pegar ou não um guarda-chuva ao sair de casa. Os agricultores e os proprietários de áreas costeiras sabem muito bem o que isso significa. A mudança no tempo fora de época, condições meteorológicas extremas e as variações no clima podem causar grandes problemas, como a seca, deslocamento de pessoas e destruição de grandes áreas.

5. Perda de meios de subsistência

Manter os ecossistemas saudáveis é essencial para a manutenção da subsistência. Quando o oceano é afetado, por exemplo, comunidades inteiras que dependem dos recursos oferecidos por ele são afetadas. Em muitos casos, os próprios seres humanos podem ocasionar estes problemas, através da poluição, acidificação do oceano e pesca predatória, por exemplo.

6. Perder a vista natural

Além da importância da biodiversidade para a manutenção dos ecossistemas, ela influencia muito os seres humanos apenas por proporcionar belas paisagens. Imagine como é triste olhar pela janela e ver que não restou quase nada e que o pouco que ainda temos da natureza está sendo desmatado por nossas próprias mãos. Com informações do TreeHugger.

Redação CicloVivo

Florestas e Homens

Enviado por institutoakatu em 01/06/2011
Filme oficial do Ano Internacional das Florestas.
Dirigido por Yann Arthus-Bertrand para as Nações Unidas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Campanha da separação do lixo volta a ser veiculada na mídia



Campanha da separação do lixo volta a ser veiculada na mídia

por primeiraedição

Começou neste domingo (20/11), no intervalo do Fantástico, da TV Globo, a campanha “Separe o lixo e acerte na lata”, dos ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Social, volta a ser veiculada. Os filmes e spots da campanha serão também divulgados nas principais emissoras de TVs e de rádios do Brasil até o dia 8 de dezembro.

Com o slogan “Separe o lixo e Acerte na Lata”, a campanha quer alcançar os lares brasileiros, preparando eles para uma mudança de comportamento em relação à coleta seletiva do lixo, começando com um simples gesto de separar o lixo seco do úmido. A campanha procura mostrar os benefícios ambientais, sociais e econômicos do reaproveitamento dos resíduos sólidos para o País.

A separação do lixo seco e do úmido permite ao catador, principal aliado no processo de reciclagem, acesso mais rápido e higiênico aos resíduos descartados, garantindo dignidade e renda para milhares de famílias.

Além da mobilização da sociedade, a campanha ressalta a riqueza ambiental e social do lixo. A intenção é demonstrar o desperdício de recursos naturais consumidos na fabricação de novos produtos e a poluição provocada pela sua manufatura.

A iniciativa da campanha reforça a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei 12.305), aprovada no final de 2010, que prevê a desativação dos lixões até 2014. Com isso, os aterros sanitários deverão receber apenas os rejeitos, aquilo que não pode mais ser reutilizado ou reciclado.

Em função da nova realidade, a coleta seletiva e a logística reversa terão de ser implantadas em todos os estados e municípios e a população é parte fundamental para iniciar o processo dentro de casa.

Também é uma oportunidade de divulgar as diretrizes propostas pela PNRS, importantes instrumentos, como a logística reversa dos itens previstos na lei, ações de Educação Ambiental e demais encaminhamentos do Comitê Interministerial para discussões sobre a nova política.

História – Há mais de 20 anos, o Brasil esperava pela aprovação de um marco legal que definisse instrumentos e responsabilidades para a geração dos mais diversos tipos de resíduos sólidos, entre eles, a novidade dos materiais eletrônicos, para os quais não existe lei federal definindo o descarte.

O que se pretende com a nova política nada mais é do que a proteção da saúde pública e da qualidade ambiental, a adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar impactos ambientais e a gestão integrada de resíduos sólidos, entre outros. Um outro importante objetivo é a integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

A nova política é clara em definir de que forma se dará o gerenciamento de resíduos sólidos, indicando inclusive sua ordem de prioridade que será a de não-geração, a de redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos.

Estádio Nacional de Brasília quer ser um dos mais sustentáveis do mundo



A cidade de Brasília, que abrigará importantes jogos da Copa de 2014, pretende transformar o estádio Mané Garrincha em uma das arenas de futebol mais sustentáveis do mundo. O estádio terá capacidade projetada para 70 mil pessoas e pleiteia a certificação Leed Platinum, selo máximo da construção ecologicamente correta fornecido pelo instituto americano U.S. Green Building Council (GBC).

Para obtê-lo, a obra tem de atingir no mínimo 80 pontos de um total de cem. São avaliados o consumo de energia, o reaproveitamento de água, o uso de materiais certificados ou reciclados na construção e no mobiliário, a localização do empreendimento e a baixa produção de resíduos, entre outros itens.

Outros oito estádios brasileiros almejam a certificação básica do Leed e para isso precisarão cumprir mínimos 50 pontos o selo é condição para receber financiamento do BNDES, que possui uma linha de créditos especial para ecoarenas. Seguir com rigor os padrões tem seu preço: a construção fica até 5% mais cara.

Em compensação os custos com manutenção e operação caem drasticamente, diz Vicente Castro Mello, sócio da Castro Mello Arquitetos, escritório responsável pelo projeto brasiliense. Segundo cálculos da firma, a economia de operação do novo Mané Garrincha poderá chegar aos sete milhões de reais por ano.

Especializado em arquitetura esportiva, ele foi um dos idealizadores, ao lado do economista americano Ian McKee, do Projeto Copa Verde. “A ideia central é usar este megaevento esportivo para transformar a cidade, criando um legado sustentável”, afirma. “O estádio deve servir para múltiplos usos, além das partidas de futebol. Queremos que ele seja a melhor arena para shows da América Latina”, diz.

Orçada em 671 milhões de reais, o estádio deverá passar por uma rígida auditoria do GBC, que vai avaliar se ele está realmente apto a levar o certificado Platinum.

As chances do estádio conseguir o selo máximo são altas, mas é necessária precisão na execução das obras, avalia Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil, braço nacional do instituto americano. A vantagem é que a sustentabilidade é parte integrante da concepção do projeto de Brasília, o que torna o objetivo mais fácil de ser alcançado.

Design integrado à cidade

Brasília tem uma arquitetura marcante, tombada pelo patrimônio histórico. Uma das características que mais saltam aos olhos são as colunas sempre posicionadas à frente dos palácios, como no Supremo Tribunal Federal, no Palácio do Planalto e no Itamarati. Respeitando esse desenho, o escritório de arquitetura bolou um estádio com colunas que garantem 30% de sombra, como se fosse um chapéu.

Longe de mero efeito figurativo, a fachada foi pensada a partir de uma análise bioclimática da construção. Durante um ano inteiro, 26% do tempo, um ser humano se sente bem dentro de uma edificação comum de Brasília, sem precisar recorrer ao ar condicionado ou aquecedores. Em outros 30% de tempo, é preciso proteção nas janelas, para garantir zona e conforto, sem gastar com aparelhos.

Uma Copa para fazer a pé ou de bike

Com o aeroporto a 15 minutos do estádio, o projeto prevê um sistema de transporte interligado e eficiente. O plano é ter um BRT com ônibus ecológicos, de combustível híbrido e um programa público de aluguel de bicicletas, com a criação de 600km de ciclovias. “Vai ser possível ir pedalando de bike do aeroporto para o estádio”, diz Vicente.

Ou ainda fazer a pé o caminho entre o estádio e o hotel, já que a rede hoteleira se concentrará em um raio máximo de 3km do centro esportivo. No meio do caminho, há museus, teatros, hospitais e uma rodoviária. A acessibilidade é outra questão importante para um estádio verde. Além de elevadores, rampas facilitarão o acesso de pessoas com deficiência ou cadeirantes a vários níveis da arena.

Iluminação eficiente e renovável

O estádio de Brasília terá uma megaestrutura de painéis solares capaz de gerar 2,54 MW, o equivalente à demanda energética de 1,4 mil residências por dia. Na maior parte do tempo, ele será autossuficiente em energia, e o excedente será repassado para rede ou vendido.

Em dias de jogos, quando houver pico, o estádio terá capacidade de prover 50% da energia, a outra metade virá da concessionária que recebeu anteriormente o excedente. Todo o sistema de iluminação da arena será em LED. E com uma disposição eficiente das luzes no campo é possível reduzir em até 18% o consumo de energia.

Paisagismo local
O projeto conta com aproximadamente 230 mil metros quadrados de áreas verdes. A vegetação será de espécimes nativas do cerrado de Brasília para reduzir a necessidade do consumo excessivo de água na irrigação e manutenção. O paisagismo terá piso drenante e refletivo, que não absorve calor.

Uso inteligente de água
O projeto prevê um sistema de captação de água da chuva, que será filtrada para abastecer toda a demanda do estádio. Nos banheiros masculinos, serão usados mictórios que dispensam água. Utilizado em larga escala nos EUA, o sistema usa um óleo vegetal: no acionar da descarga, o óleo sobe e a urina desce por gravidade para a rede de coleta de esgoto. Segundo Vicente, essa tecnologia tem apelo financeiro porque, além da economia de água, dispensa instalações necessárias para um banheiro com descarga tradicional.

Cobertura que captura CO2

Esta é talvez uma das soluções mais high tech do estádio. A cobertura será feita de uma membrana branca que reflete o calor e tem dióxido de titânio em sua composição. Este elemento, em contato com a umidade do ar e as gotas da chuva, se comporta como se fosse um teflon (revestimento de panela) - nele sujeira não gruda nem se acumula.

Mais, a reação química entre as moléculas de água e o CO2 da atmosfera na presença do dióxido de titânio gera CO3, nitrogênio. “É como se essa membrana fizesse uma espécie de fotossíntese, retirando o gás carbônico da atmosfera”, conta Vicente.

As informações são do Green Building Council Brasil.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Gestão do Lixo

Estudo alerta sobre a carência de planejamento para gestão do lixo em empreendimentos de interesse social


Condomínios populares também precisam de gestão do lixo. A idéia que parece óbvia não é uma realidade e merece atenção quando o assunto é moradia de interesse social.

Uma avaliação técnica realizada em 11 empreendimentos do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), na cidade de Pelotas (RS), permitiu medições das trajetórias percorridas pelos usuários até a deposição do lixo – e mostra que os moradores chegam a caminhar três vezes a distância recomendada. O estudo revela que mais de 80% dos condôminos estão a distâncias inadequadas dos pontos de coleta.

“Analisando os gráficos percebe-se que o lixo não é pensado como uma rede de pontos conectados dentro do espaço condominial. Não é concebido como um sistema que precisa de deslocamento entre um ponto e outro”, explica a arquiteta Ângela Cristina Bosenbecker, do Núcleo de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Em sua opinião, há uma negação por parte dos projetistas e analistas de projetos sobre a existência do lixo. “É como se este serviço de apoio à vida diária fosse ignorado pelas normas e pelos projetistas, e só viesse à tona quando as falhas na prestação do serviço deixassem suas marcas: lixo acumulado, dejetos após a passagem do veículo coletor, odores”, complementa a professora Nirce Saffer Medvedovski, orientadora do projeto ´Geração de indicadores de qualidade de espaços coletivos em Empreendimentos de Habitação de Interesse social (Inqualis)`. Este projeto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) tem apoio financeiro do Programa Habitare, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), por meio da rede de pesquisa ´Ciência e tecnologia e inovação para a melhoria da qualidade e redução de custos da Habitação de Interesse Social`. A universidade desenvolve o trabalho com foco nos espaços coletivos dos empreendimentos.

Serviço desprezado

O cuidado com o lixo foi avaliado em 11 conjuntos residenciais do Programa de Arrendamento Residencial na cidade de Pelotas

O estudo também alerta para a falta de integração entre o sistema de coleta municipal do lixo e o sistema interno do condomínio.

Além disso, sem investimentos em materiais e equipamentos no período da construção dos conjuntos, esse serviço fica relegado a um segundo momento, para que os usuários, administradoras e o poder municipal decidam sobre sua operação e manutenção.

De acordo com a equipe, recomendações sobre acondicionamento e coleta do lixo domiciliar são raras na bibliografia em geral. “O tema é tratado de forma sucinta, como parte das normas relativas ao sistema viário, e as orientações são eminentemente qualitativas, deixando ao bom senso e experiência dos urbanistas e administradores decidir sobre como concretizar o serviço”, descreve Ângela em um artigo que será levado em novembro ao Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no Ambiente Construído.

Segundo ela, alguns códigos de obra exigem para os condomínios localizados nos bairros servidos com coleta seletiva de lixo a colocação de recipientes próprios, que garantam a coleta distinta dos resíduos, cabendo ao executivo municipal determinar a quantidade e capacidade destes equipamentos. Mas não há na legislação referências quanto ao dimensionamento, localização e tipologia destes aparatos para disposição do lixo.

“É um conhecimento fragmentado, com pouca ênfase nas relações de desempenho da limpeza das áreas habitacionais”, complementa. Para a equipe, o trabalho ressalta a importância de que os conjuntos habitacionais populares tenham uma concepção de gestão do lixo domiciliar na etapa de projeto, incorporando hábitos da população, aspectos climáticos e de desenho urbano.

A pesquisa

Foram avaliados 11 conjuntos residenciais do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) em Pelotas (RS), totalizando 1.506 unidades. Questionários foram aplicados para percepção do nível de satisfação dos usuários em relação ao sistema de coleta de lixo e à limpeza dos condomínios.

Para a avaliação técnica, além de material fotográfico produzido durante as visitas, foi usado check-list para levantamento de informações como órgão responsável (público, privado, prefeitura); localização dos depósitos de lixo (in loco); verificação da existência de depósitos inapropriados (in loco); frequência da coleta (com o órgão responsável); averiguação da existência ou não de coleta seletiva (órgão responsável e/ou in loco).

Este estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) tem apoio financeiro do Programa Habitare, da FINEP, por meio da rede de pesquisa ´Ciência, tecnologia e inovação para a melhoria da qualidade e redução de custos da Habitação de Interesse Social`.

A equipe leva em conta que a maior parte das avaliações das etapas de uso e manutenção desse tipo de empreendimento é voltada para a unidade habitacional (casa ou apartamento). Além disso, em geral os condomínios priorizam espaços de circulação e estacionamento, com blocos dispostos de forma isolada, sem criar espaços comunitários. Mas para comunidades de menor renda, espaços como parques, quadras, salões de festa e acessos têm grande importância, especialmente devido ao reduzido tamanho das moradias, às necessidades de socialização e privacidade, de geração de renda e dos reduzidos custos direcionados à manutenção, entre outros desafios relacionados a empreendimentos populares. O objetivo da equipe é propor indicadores para os processos de projeto e gestão das áreas coletivas dos conjuntos habitacionais.

Cidades renovadas

Em vários pontos do planeta, áreas degradadas, antes ocupadas por indústrias, passam por recuperação para dar lugar a edifícios residenciais

Giuliana Capello
Arquitetura & Construção - 10/2011

"O novo uso ajuda a revitalizar o espaço urbano", diz Jaime Ohata, diretor da consultoria de meio ambiente Geoklock, de São Paulo. Na Europa, esse movimento é comum. O escritório americano Moore Ruble Yudell, por exemplo, aproveitou um local onde funcionava uma fábrica de carros, na cidade sueca de Malmö, e implantou ali um conjunto de prédios (acima).

Antes trocou parte do solo contaminado com agentes químicos por terra limpa e incluiu no paisagismo plantas que absorvem substâncias tóxicas. Grandes construtoras paulistas também aderiram à onda. "Bem localizados e mais baratos, esses terrenos são bom negócio para abrigar imóveis de alto padrão e assim garantir retorno comercial do alto custo de tratamento", fala Antonio Setin, presidente da construtora Setin. "O uso só é liberado diante de um plano de intervenção que garanta a segurança do futuro empreendimento", diz Elton Gloeden, gerente de Áreas Contaminadas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

É SEGURO MORAR AQUI?
Para conseguir um parecer da prefeitura de São Paulo, que libera o uso da área comprometida, as construtoras são obrigadas a apresentar um plano de descontaminação. "Ele deve eliminar qualquer risco à população", diz Rodrigo César Cunha, gerente de Gestão de Recursos para Investigação e Remediação de Áreas Contaminadas da Cetesb. Por lei, eventuais restrições de uso do solo ou da água subterrânea ficam registradas na escritura do imóvel e podem ser consultadas. "Antes da compra, verifique se o endereço integra uma lista de áreas comprometidas já reabilitadas", indica. A da Cetesb pode ser conferida no site www.cetesb.sp.gov.br.