segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Aquecimento custará 1 ano de crescimento ao Brasil

GLOBAL FORUM AMÉRICA LATINA
Fonte: Folha de S. Paulo, por Rafael Garcia



Em 2050, cada cidadão brasileiro perderá de R$ 534 e R$ 1.600 de sua renda anual por causa da mudança climática, indica um estudo feito por 11 instituições de pesquisa. A redução no PIB nacional será de 0,5% a 2,3%, o equivalente a perder um ano de crescimento.

O trabalho, divulgado nesta terça-feira (24), mostra que Norte e Nordeste tendem a ser mais afetados pelo aquecimento global daqui a quatro décadas, e que o aumento das desigualdades sociais e regionais será o legado mais cruel da crise do clima no país.

Coordenado pelos economistas Jacques Marcovitch, da USP, Sérgio Margulis, do Banco Mundial, e Carolina Dubeux, da Coppe/UFRJ, com financiamento do governo britânico, o estudo "Economia do Clima" pôs o problema em perspectiva nacional pela primeira vez.

Ele é inspirado no Relatório Stern, o primeiro grande cálculo do impacto da mudança climática na economia global, feito em 2006.

Para chegar aos valores finais, os pesquisadores aglutinaram estimativas de perdas econômicas como a da agropecuária, que sofrerá mais com secas, e das áreas costeiras, que sofrerão mais com ressacas e o aumento do nível do mar.

O trabalho simula dois cenários de crescimento econômico para Brasil: um baseado em uma economia "limpa", que respeita o ambiente e emite menos CO2, e outro em uma economia suja. O resultado mostra uma solução para o problema expresso há pouco pelo presidente Lula, de que a crise do clima se deve ao fato de que "o mundo é redondo".

"Se o Brasil fizer um esforço muito grande para reduzir a emissão dos gases do efeito-estufa, mas os outros países não fizerem nada, o clima vai mudar aqui de um jeito ou de outro", explica Dubeux. "Só a totalidade dos países pode mitigar a mudança do clima."

Contudo, se o Brasil adotar uma economia mais limpa, sairá ganhando de um jeito ou de outro, pois o modelo ecologicamente correto também é economicamente mais robusto. "O recado é que existe espaço para crescer limpo e crescer firmemente", diz Margulis.

A diferença entre os dois modelos é que o limpo prevê uma ação mais eficiente para conter o desmate, mais investimento em transporte público em detrimento do individual, adoção de uma matriz energética com menos termelétricas, adoção de processos industriais ambientalmente corretos, mais transporte ferroviário de carga contra caminhões e outras medidas.

Foi estipulado também um investimento maior em educação. "É um jeito de simular que a população passa a ter uma maior consciência ambiental", explica o economista.

Na projeção feita pelos pesquisadores, o PIB do país em 2050 seria de R$ 15,2 trilhões, no cenário sujo, contra R$ 15,6 trilhões no cenário limpo. Essa diferença tende a se ampliar muito na segunda metade do século, mas fazer previsões para depois disso envolve muita incerteza, e os cientistas trataram de apenas alguns aspectos nesse segundo período.

Sofrimento desigual

Um dos problemas mais claros é o estresse hídrico, que afeta tanto a agropecuária quanto a geração de eletricidade, principalmente no Nordeste. Nessa região, a bacia do rio Parnaíba, com importantes hidrelétricas, pode perder 90% da vazão até 2100. A capacidade de pastoreio do gado de corte na região pode cair em 25%.

Segundo Margulis, a desigualdade entre regiões no impacto da mudança climática tende a ser agravada por uma desigualdade entre setores. Enquanto a agricultura deve sofrer muito, sobretudo no Centro-Oeste, o setor de serviços -bancos, principalmente- não perderia quase nada.

O novo estudo traça também um panorama das oportunidades em investimentos que ajudem o país a se adaptar à mudança do clima e a minimizar suas emissões de gases-estufa.

Neste segundo item, como esperado, o combate ao desmatamento ganha papel crucial. Segundo Margulis, se pecuaristas na Amazônia recebessem apenas US$ 3 por tonelada de carbono que o desmatamento emite ao abrir pastos, derrubar árvores já não traria compensações para o agronegócio.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Novas Perpectivas

Reportagem sobre "Construção Sustentável" de Giuliana Capello
Revista Arquitetura e Construção - Outubro/2010

Materiais convencionais e baixa tecnologia pode virar passado nas moradias populares brasileiras graças à atuação de alguns estados, além da Caixa Econômica Federal e do programa Minha Casa Minha Vida. São Paulo lidera as frentes de ação. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) firmou protocolos de cooperação técnica com o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), e deve lançar em breve um plano estadual. No que diz respeito à qualidade arquitetônica, a CDHU e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) divulgaram no mês passado o resultado do concurso Habitação para Todos. "Os premiados poderão ter seus projetos contratados e isso irá incentivar novas tipologias para casas populares sustentáveis", diz Gil Scatena, assessor da Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo. Na categoria edifícios de seis e sete pavimentos, a idéia vencedora é do escritório paulista Estúdio América, em parceria com o colombiano Daniel Bonilla. "Partimos do princípio de que esses conjuntos não devem isolar-se da cidade", ressalta o arquiteto Mario Figueroa, um dos autores da proposta.

sábado, 16 de outubro de 2010

SP é o 1º Estado a aprovar meta de mudança climática

Fonte: Conselho Brasileiro de Construção Sustentável
Texto prevê reduzir emissões de CO2 em 20%; projeto segue para sanção.
Afra Balazina e Alexandre Gonçalves

A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou ontem à noite a Política Estadual de Mudanças Climáticas. A lei prevê que o Estado reduza em 20% suas emissões de gás carbônico (CO2) até 2020, em relação aos níveis de 2005. A cada cinco anos, até 2020, o governo poderá fixar metas intermediárias para atingir o objetivo. O projeto segue para sanção do governador José Serra (PSDB).

Essa é a primeira lei estadual com meta de corte de gases de efeito estufa aprovada no País. A lei municipal de mudança climática, aprovada em junho na capital paulista, tem meta mais ambiciosa: cortar, até 2012, em 30% as emissões de gases-estufa, em relação aos valores verificados em inventário concluído em 2005.

O secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, considerou a aprovação uma vitória e ressaltou que houve oposição do setor industrial à lei, em razão da imposição do corte de CO2, principal gás causador do aquecimento global. Para ele, o Estado saiu na frente dos demais e do governo federal na questão e pode agora ser "copiado". "Agora São Paulo tem uma lei moderna, com compromissos. O Estado não tem medo da agenda de mudança do clima. Entendemos o desafio como oportunidade para construir uma economia verde."

O maior foco do governo para a redução das emissões será o setor de transporte. A lei prevê, por exemplo, a adoção de metas para a implantação de rede metroferroviária, de corredores de ônibus e de um bilhete único para incentivar o uso do transporte público.

O deputado estadual Vaz de Lima (PSDB), líder do governo na Assembleia Legislativa, acredita que o Estado dá um exemplo para o Brasil de como atacar de forma efetiva o problema das emissões. "São Paulo vai levar essa experiência para Copenhague no início de dezembro", afirma Vaz de Lima. Lá acontecerá a conferência do clima da ONU, na qual os países industrializados precisam definir que metas de redução de emissão de gases de efeito estufa adotarão a partir de 2013. Países em desenvolvimento, como o Brasil, não precisam ter metas obrigatórias, mas devem agir para alterar a curva de crescimento das emissões.

A lei estadual também estipula que sejam adotadas metas de eficiência para os diversos setores da economia e que, a cada cinco anos, seja publicado um inventário de emissões discriminado por fontes de emissão. O primeiro deverá ser comunicado até dezembro de 2010.

CONVERSA MOLE

O deputado estadual Adriano Diogo (PT), que já foi secretário municipal do Meio Ambiente em São Paulo, chamou a legislação de clima do Estado de "lei chuchu". "É incolor, inodora e insípida - e muito vaga. Não fala na queima da palha da cana e não acena com a implantação da inspeção veicular nem com a redução da poluição dos combustíveis." Para ele, a lei não passa de "conversa mole". Em sua avaliação, pelo fato de o Estado ainda não ter inventário e não sabe quanto é sua emissão, a meta é vazia.

AÇOES PREVENTIVAS

Meta: Reduzir em 20% as emissões de CO2, relativas a 2005, em 2020. O Executivo pode fixar metas intermediárias a cada cinco anos

Inventário: O Estado deve publicar um inventário das emissões de gases-estufa em dezembro de 2010, que vai nortear as metas

Transporte: Um plano de transporte sustentável deve ser apresentado em até um ano

Licitação: Deve ser organizado um modelo de licitação pública sustentável em até um ano

Adaptação: Deve ser elaborado um plano participativo de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, contemplando catástrofes de origem climática, em até dois anos

Carros: O Estado tornará públicos, em até seis meses, os dados sobre emissões de gases-estufa e outros poluentes dos veículos homologados pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve)

Zoneamento: O governo tem até dois anos para implantar o Zoneamento Econômico Ecológico

Lixo que vira energia

Unaí (MG) experimenta com sucesso a transformação de resíduos em combustível e prevê queimar 100% da coleta diária até 2012



Fonte: Instituto AKATU

Quase tudo vira lixo, e o lixo vira o quê? Com a recém-aprovada Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), grande parte do material jogado fora poderá ser queimado como combustível e se tornar uma nova fonte de energia para o país. Atualmente, o Brasil produz 183,5 mil toneladas de lixo por dia e ainda não dispõe de tecnologia em larga escala para transformar esse lixo em energia elétrica.

Mas a cidade mineira de Unaí já vem experimentando com sucesso o uso do lixo na geração de energia e, até o fim de 2011, deve queimar 100% do lixo coletado diariamente, acabando com o aterro sanitário local.

Pelo Projeto Natureza Limpa, a prefeitura implantou em parceria com um empresário local uma miniusina de carbonização do lixo. O processo ainda não produz energia elétrica, mas transforma o lixo em combustível para as siderúrgicas do Estado e matéria prima para indústrias químicas.

Na miniusina de Unaí, o lixo é depositado em um forno, sem nenhuma separação. O material orgânico e outros combustíveis como plástico viram carvão; produtos de origem mineral não combustível, como vidro, permanecem intactos. Cerca de 90% do material carbonizado são vendidos a siderúrgicas mineiras, e os 10% restantes são usados na fornalha da própria usina. Já os materiais que ficam intactos seguem para a reciclagem.

O chamado chorume, aquele líquido escuro e espesso que sai do lixo se transforma em vapor no forno, mas não volta a poluir o ar. Esse vapor é canalizado para um destilador que expele apenas água e oxigênio. No destilador o vapor de chorume é transformado em quatro subprodutos: óleo vegetal, alcatrão, lignina e água ácida, usados na produção de biodiesel, cosméticos, abrasivos, entre outros.

O sistema mineiro já recebeu a licença ambiental e pode se tornar uma boa opção para fechar os lixões de todo o país. Esse tipo de depósito de lixo não tem nenhum tratamento ambiental e polui ar, água, solo, subsolo e o lençol freático. A Política Nacional de Resíduos Sólidos obriga os municípios a acabarem com os lixões em até quatro anos.

Sérgio Guerreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Conselho de Pesquisa em Tecnologia de Geração de Energia a Partir de Resíduos (WTERT Brasil), diz que a experiência na Comunidade Europeia deu certo. Em 2009, 60 milhões de toneladas de lixo foram incineradas na Europa.

domingo, 10 de outubro de 2010

10.10.10

A Data 10/10/10 da Humanidade com o Destino é um convite mundial para começar uma nova era de cura planetária, comunidade global e parceria co-criativa com toda a Vida. No poderoso local do National Mall, em Washington, o 10/10/10 convida a Humanidade a começar a nova era, unindo-se para fazer uma visível demonstração histórica e profunda da vontade coletiva em formar a Família Fundadora do Novo Mundo.

Quando fazemos uma pausa por um momento em silêncio...

Quando fazemos a Declaração da Interdependência....

Quando nos declaramos a Família Fundadora do Novo Mundo...

Quando encorajamos a todos para que saibam fazer o mesmo...

Tornamo-nos uma gota que faz inúmeras ondulações...

Isto cria o Novo Mundo.

AJAM – Quanto um maior número de nós nos declararmos como a Família Fundadora – apresentando-se no dia 10/10/10, no Lincoln Memorial, em Washington, em eventos ao redor do mundo, ou até virtualmente - mais visível se torna a nossa disponibilidade coletiva de criar o Novo Mundo. Não é o momento?

Quem somos: 10/10/10. A Data da Humanidade com o Destino é organizada pelo Poder do Um, uma organização de caridade, em colaboração com uma família fundadora de pessoas e de organizações que estão se declarando prontas para co-criar o Novo Mundo. Nossa Missão é inspirar e permitir a ação integrada pelas pessoas e organizações em direção a transformação de uma sociedade global sustentável e pacífica. Atraindo ciências avançadas e a consciência coletiva, desenvolvemos iniciativas, parcerias e colaborações que estimulam a criatividade, o empreendedorismo e modelos inovadores no setor financeiro e nos negócios, a serviço do todo.

Direitos Autorais 2010 Patrícia Diane Cota-Robles
Patrícia Diane Cota-Robles
New Age Study of Humanity's Purpose, Inc.
a 501 (c) nonprofit educational organization
http://eraofpeace.org

domingo, 26 de setembro de 2010

Casal investe em casa ecológica em cidade industrial

Publicado por Moderador da Comunidade Banco do Planeta - ECOCONSTRUÇÃO



Vera Scekic e Robert Osborne, arquitetos, investiram suas economias para construir uma casa ecoeficiente, capaz de receber a rígida certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design - Liderança em Design de Eficiência Energética e Ambiental, em tradução livre) na cidade industrial de Racine, EUA.

Após um ano de planejamento e dois de construção ganharam destaque no New York Times com uma moradia moderna, feita com vigas de aço expostas, paredes revestidas com Biofam (formado por sobras agrícolas) e amplas janelas de vidro. Cuidados precisos com ventilação e iluminação naturais, geração de energia e gestão das águas utilizadas integraram o pacote, assim como piso permeável, para minimizar enxurradas e sua conseqüente erosão.

O casal priorizou comprar materiais locais e contratar mão-de-obra da vizinhança. “Toda milha não percorrida conta”, explicou Robert.

A casa ganhou um sofisticado sistema de climatização geotérmico, que leva o ar por baixo da terra por tubos, onde ele se aquece ou se resfria, conforme a temperatura exterior. A energia solar aquece a água e um sistema separado com uma placa no telhado e outra no quintal produz eletricidade. Parte das águas pluviais são captadas em tanques para uso no jardim.

A fachada conta com múltiplas camadas, feita com folhas de MDF, uma placa de concreto, painéis fotovoltaicos e uma membrana respirável, para evitar o acúmulo de calor.

Tornando a sua próxima compra sustentável

Por Fabio Feldmann (*) - Terra Magazine


Em 07/2007 ocorreu uma reunião na Fundação Getúlio Vargas sobre Construção Sustentável na Cidade de São Paulo, promovido pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo (SVMA), ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade e pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da própria Fundação (GVces).
O número de pessoas inscritas para o evento foi tão grande que os organizadores tiveram que colocar as pressas um telão para atender a surpreendente demanda.

O que isso significa?

Basicamente é necessário compreender que existe efetivamente na sociedade uma vontade de se encontrar alternativas para os problemas socioambientais da vida contemporânea, refletindo essa demanda na busca de soluções do que se denomina consumo sustentável, isto é, de um lado a oferta de bens e serviços com menor impacto no meio ambiente, e, de outro, que simultaneamente atendam critérios sociais. Em outras palavras, estamos nos referindo à madeira certificada, eletrodomésticos com baixo consumo de energia, tintas sem produtos tóxicos, computadores e aparelhos celulares com projetos de utilização de seus componentes pós-consumo, papel reciclado, enfim, objetos frugais do cotidiano que venham e possam atender a equação da sustentabilidade, além daqueles elementos básicos da nossa alimentação que hoje constituem um dos itens mais preocupantes da agenda ambiental global, uma vez que o setor agropecuário é um dos principais consumidores dos recursos naturais do planeta.

Vale lembrar que um dos marcos importantes do movimento ambientalista contemporâneo foi o lançamento do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, na qual se questionou pela primeira vez o papel dos pesticidas na indústria norte americana. Hoje se constata que os consumidores de maneira geral têm uma consciência clara de que o consumo tem grande impacto no seu bem-estar pessoal, afetando inclusive sua longevidade.

Assim sendo, as decisões relativas ao consumo passaram nas últimas décadas a refletir opções de natureza política, na acepção mais positiva da palavra. Representando essa tendência, há uma migração importante da política tradicional para novos atores sociais, uma vez que os agentes políticos tradicionais não conseguem mais atender as novas demandas da sociedade. Isto não quer dizer que se está abrindo mão da democracia tradicional, ou seja, a representação política nos parlamentos através de eleições, mas sim um processo complementar diante de uma sociedade cada vez mais complexa. Toda vez que vemos alguém vestindo uma camiseta da SOS Mata Atlântica ou de qualquer outra ONG, o que se está fazendo é uma manifestação em favor de uma causa, num mundo em que o cidadão tem dificuldades em ver as suas opções políticas acolhidas na forma e intensidade que as julga merecedoras e necessárias.

Do ponto de vista prático, de efetividade, acredito que a politização do consumo trará benefícios muito claros para o interesse público, à medida que obrigará em última instância o setor empresarial, responsável pela oferta de bens e serviços, a internalizar em sua agenda as demandas do consumidor - estas não mais entendidas exclusivamente como sendo da utilidade última dos bens - incluindo o caráter simbólico do consumo na sociedade de hoje. Por esta razão, iniciativas importantes têm ocorrido no mundo e no Brasil, a exemplo da idéia da construção civil sustentável.

Recente relatório do PNUMA (Buildings and Climate Change - Status, Challenge and Opportunities) demonstrou que edifícios que levam em consideração a eficiência energética podem consumir muito menos energia do que seus similares que não incorporam esta preocupação, o que traz concretamente uma importante constatação: quanto menos energia no uso dos mesmos, menor a necessidade de ampliação ou manutenção da infra-estrutura de energia, ou seja, menos hidroelétricas, usinas nucleares, enfim, menor impacto na natureza.

O mesmo raciocínio se aplica na construção dos mesmos, valendo lembrar o exemplo da areia: a maior parte desse insumo utilizado no país é originária de extração ilegal, deixando de observar a legislação ambiental que exige a recuperação das áreas após o seu esgotamento, de modo que temos como legado enormes cavas a céu aberto, com problemas sérios do ponto de vista da utilização dessas áreas após seu uso.

A idéia da sustentabilidade nesses casos parte do engajamento dos participantes da cadeia produtiva, num processo de negociação permanente, que assegura ao consumidor final o atendimento de certos critérios básicos, que tendem a se tornar cada vez mais rigorosos. No caso da areia, o primeiro requisito a ser exigido pelas construtoras ou adquirentes do insumo deveria ser a legalidade da extração, de modo que com isso aqueles fornecedores que descumprem a legislação estariam excluídos do mercado por força dele mesmo, reforçando assim a ação das autoridades ambientais que notoriamente são incapazes de garantir o cumprimento da lei.

Vamos citar o caso de São Paulo, um dos estados com melhor aparato governamental: a Polícia Ambiental possui dois mil e duzentos policiais militares para fiscalizar os seiscentos e quarenta e cinco municípios paulistas, o que significaria numa conta aritmética menos que quatro policiais por município. Levando-se em conta que o turno médio de trabalho equivale a oito horas, teríamos praticamente um policial ambiental por município, o que evidentemente demonstra a necessidade de estratégias inovadoras para que o uso dos recursos naturais e a conservação ambiental sejam feitos num patamar aceitável, já que num país com os índices de violência que conhecemos torna-se inviável politicamente aumentar o contingente de policiais militares alocados na Polícia Ambiental.

No Brasil, sob liderança do empresário Marcelo Takaoka e dos Professores da Faculdade Politécnica da USP Vanderley John e Orestes Gonçalves, foi criada recentemente uma entidade denominada Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (www.cbcs.org.br), cujos objetivos são, dentre outros, produzir referências técnicas de sustentabilidade e desenvolver metodologias para avaliação da sustentabilidade de serviços e empreendimentos. Embora sediado no Brasil, tal Conselho está se articulando com iniciativas similares no mundo, uma vez que na sociedade globalizada certos padrões tendem a se universalizar positivamente. Tal interação é extremamente importante pelo simples fato de que os mesmos tendem a se transformar num importante fator de pressão sobre os agentes econômicos, valendo citar a pressão exercida sobre marcas importantes no caso de utilização de mão-de-obra infantil ou mesmo escrava.

A importância das construções sustentáveis se denota também através de seu crescente destaque na mídia (vide, mais recentemente, duas publicações da Folha de São Paulo: Construção e decoração verde tipo importação e Por que eles são mais verdes?). Voltando aos exemplos, bastaria que as principais construtoras brasileiras se recusassem a adquirir "areia ilegal" para que pudéssemos coibir definitivamente a extração ilegal da mesma sem a necessidade de mais dispêndio de recursos públicos e de forma a evitar situações geradoras de corrupção na ponta (cobrança de propina para tolerar as ilegalidades...).

O grande desafio da sustentabilidade em termos de Consumo Sustentável está no desenho dos bens e serviços, isto é, na exigência de que os mesmos sejam projetados e planejados de modo que na etapa pós-consumo possamos atender a demanda de reintroduzí-los no ciclo de mercado, sem ou com a menor necessidade possível de utilização de novas matérias-primas ou agregação de mais energia. Para tanto, o que é importante é a consciência de que o planeta possui limites em termos de uso e exploração de seus recursos naturais e quanto a sua capacidade de absorver poluição.

Se até recentemente a necessidade dessa consciência se colocava basicamente na esfera ética, podemos dizer que com os últimos relatórios da ONU estamos diante de uma situação que exige medidas urgentes e imediatas, vez que as conseqüências da ignorância desses limites estão cada dia mais evidentes no cotidiano de cada um de nós. A lição que transcende o aquecimento global é a idéia da existência de limites para a Humanidade como um todo e para cada um de nós enquanto cidadãos do planeta e consumidores, em última instância, de seus recursos naturais. Assistiremos nos próximos dez anos a construção de processos de certificação que irão possibilitar que as nossas escolhas sejam feitas de acordo com critérios que indiquem menor uso de água, energia, produtos químicos, e simultaneamente respeito a imperativos de justiça social.

(*)

Fabio Feldmann é consultor, advogado, administrador de empresas, secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade e fundador da Fundação SOS Mata Atlântica. Foi deputado federal, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Dirige um escritório de consultoria, que trabalha com questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Veja como fazer saquinho de jornal para o lixo

Dobradura só leva 20 segundos e pode ajudar a reduzir o uso de sacolinhas plásticas em casa
Fonte: INSTITUTO AKATU


Saco é um saco, não é mesmo? Mas como armazenar e tirar o lixo de casa sem a sacolinha plástica do supermercado, da padaria ou da farmácia? Uma saída é usar um único saco na semana em uma lixeira grande, de preferência de plástico reciclado, no qual vai-se acumulando o lixo doméstico, que pode ser recolhido nos diversos lixinhos da casa (cozinha, banheiros...) em embalagens que se decompõem mais rápido que o plástico, tais como papelão ou papel jornal.

O consumidor consciente busca evitar o lixinho-dentro-do-plastiquinho-que-vai-para-a-sacolinha-dentro-de-outra-sacolilnha-maior-jogada-com-outras-sacolinhas-dentro-do-saco-preto-grande. Por que não jogar tudo direto no saco preto e evitar essa cadeias de sacolinhas dentro de sacolinhas? Cada brasileiro consome em média 800 saquinhos plástico por ano ou quase 153 bilhões de sacolinhas no país inteiro. Se fosse um pedaço único de plástico, daria para cobrir todo o Estado do Rio de Janeiro ou mais da metade de Santa Catarina.

O plástico é feito de petróleo, portanto aumenta o aquecimento global, leva centenas de anos para se degradar na natureza e, descartado errado, vai entupir bueiros e tubulações de esgoto provocando enchentes. No lixão ou aterro sanitário, por impedir a circulação de gases, também atrapalha a degradação de outros materiais.

Um boa dica é recolher os pequenos lixinhos da casa em sacolinhas de jornal. Você aproveita para reciclar o jornal velho e ainda reduz o uso do plástico. Veja como fazer. O passo-a-passo dessa dobradura circula pela internet e o Akatu recebeu por email de um consumidor consciente, passe adiante.

1) Você pode usar uma, duas ou até três folhas de jornal juntas, para que o saquinho fique mais resistente. Começa com um quadrado, então faça uma dobra para marcar, no sentido vertical, a metade da página da direita e dobre a beirada dessa página para dentro até a marca. Você terá dobrado uma aba equivalente a um quarto da página da direita, e assim terá um quadrado.











2) Dobre a ponta inferior direita sobre a ponta superior esquerda, formando um triângulo, e mantenha sua base para baixo.








3) Dobre a ponta inferior direita do triângulo até a lateral esquerda.








4) Vire a dobradura "de barriga para baixo", escondendo a aba que você acabou de dobrar.








5) Novamente dobre a ponta da direita até a lateral esquerda e você terá a seguinte figura:









6) Para fazer a boca do saquinho, pegue uma parte da ponta de cima do jornal e enfie para dentro da aba que você dobrou por último, fazendo-a desaparecer lá dentro.








7) Sobrará a ponta de cima que deve ser enfiada dentro da aba do outro lado, então vire a dobradura para o outro lado e repita a operação.








8) Se tudo deu certo, essa é a cara final da dobradura:








9) Abrindo a parte de cima, eis o saquinho!








10) É só encaixar dentro do seu cestinho e substituir o saco plástico.




















Pode parecer complicado vendo as fotos e lendo as instruções, mas faça uma vez seguindo o passo a passo e você vai ver que depois de fazer um ou dois você pega o jeito e a coisa fica muito muito simples. Daí é só deixar vários preparados depois de ler o jornal de domingo!

Acompanhe a campanha “Saco é um Saco” no www.akatu.org.br

Guia Caixa Selo Casa Azul


"Produzido por uma equipe que reuniu especialistas da USP, UFSC e UNICAMP – em sua maioria associados do CBCS -, como suporte ao Selo Casa Azul de Construção Sustentável da Caixa , o Manual apresenta 53 estratégias para mitigar os impactos ambientais e maximizar os benefícios sócias da construção habitacional, de execução simples nas condições de mercado brasileira, a maioria economicamente viáveis mesmo em projeto s de habitação popular. Um grande diferencial é o guia para estabelecimento da agenda ambiental do empreendimento, que facilita a otimização da solução das realidades locais e do projeto."

Fonte: CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável

domingo, 19 de setembro de 2010

A farra dos sacos plásticos

Fonte: Ambientebrasil * Por André Trigueiro

O Brasil é definitivamente o paraíso dos sacos plásticos. Todos os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora.

O Brasil é definitivamente o paraíso dos sacos plásticos. Todos os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. Não importa o tamanho do produto que se tenha à mão, aguarde a sua vez porque ele será embalado num saquinho plástico. O pior é que isso já foi incorporado na nossa rotina como algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo um saco plástico. Nossa dependência é tamanha, que quando ele não está disponível, costumamos reagir com reclamações indignadas.

Quem recusa a embalagem de plástico é considerado, no mínimo, exótico. Outro dia fui comprar lâminas de barbear numa farmácia e me deparei com uma situação curiosa. A caixinha com as lâminas cabia perfeitamente na minha pochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gesto automático, a funcionária registrou a compra e enfiou rapidamente a mísera caixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez. Pelas razões que explicarei abaixo, recusei gentilmente a embalagem.

A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o inglês Alexander Parkes inventou o primeiro plástico em 1862. O novo material sintético reduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista da civilização moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plásticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de um desastre ambiental de grandes proporções. Feitos de resina sintética originadas do petróleo, esses sacos não são biodegradáveis e levam séculos para se decompor na natureza. Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos são feitos de cadeias moleculares inquebráveis, e é impossível definir com precisão quanto tempo levam para desaparecer no meio natural.

No Complexo do Alemão, plásticos não biodegradáveis se juntam ao lixo nas ruas.

No caso específico das sacolas de supermercado, por exemplo, a matéria-prima é o plástico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, que já representa 9,7% de todo o lixo do país. Abandonados em vazadouros, esses sacos plásticos impedem a passagem da água - retardando a decomposição dos materiais biodegradáveis - e dificultam a compactação dos detritos.

Essa realidade que tanto preocupa os ambientalistas no Brasil, já justificou mudanças importantes na legislação - e na cultura - de vários países europeus. Na Alemanha, por exemplo, a plasticomania deu lugar à sacolamania. Quem não anda com sua própria sacola a tiracolo para levar as compras é obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plásticos. O preço é salgado: o equivalente a sessenta centavos a unidade.

A guerra contra os sacos plásticos ganhou força em 1991, quando foi aprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens a aceitar de volta e a reciclar seus produtos após o uso. E o que fizeram os empresários? Repassaram imediatamente os custos para o consumidor. Além de anti-ecológico, ficou bem mais caro usar sacos plásticos na Alemanha.

Na Irlanda, desde 1997 paga-se um imposto de nove centavos de libra irlandesa por cada saco plástico. A criação da taxa fez multiplicar o número de irlandeses indo às compras com suas próprias sacolas de pano, de palha, e mochilas. Em toda a Grã-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a atenção dos consumidores com uma campanha original e ecológica: todas as lojas da rede terão seus produtos embalados em sacos plásticos 100% biodegradáveis. Até dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na rede serão feitos de um material que, segundo testes em laboratório, se decompõe dezoito meses depois de descartados. Com um detalhe interessante: se por acaso não houver contato com a água, o plástico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza.

Mau exemplo: lixão em SP recebe 250 toneladas por dia.

Não há desculpas para nós brasileiros não estarmos igualmente preocupados com a multiplicação indiscriminada de sacos plásticos na natureza. O país que sediou a Rio-92 (Conferência Mundial da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente) e que tem uma das legislações ambientais mais avançadas do planeta, ainda não acordou para o problema do descarte de embalagens em geral, e dos sacos plásticos em particular.

(...)

É preciso declarar guerra contra a plasticomania e se rebelar contra a ausência de uma legislação específica para a gestão dos resíduos sólidos. Há muitos interesses em jogo. Qual é o seu?

* jornalista André Trigueiro é redator e apresentador do Jornal das Dez, da Globonews, desde 1996. Na Rádio Viva Rio AM (1180 kwz ), Trigueiro apresenta o programa Conexão Verde, de segunda a sexta. Nele, aborda temas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. O jornalista é pós-graduado em Meio Ambiente pela MEB COPPE/UFRJ (2001).