O Concurso Saco de Ideias é uma iniciativa do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente que pretende sensibilizar e conscientizar a população brasileira para o consumo consciente de embalagens e sacolas plásticas. A ação conta com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e com patrocínio do Carrefour.
Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados, o Brasil consome 12 bilhões de sacolas plásticas por ano. Um dos grandes problemas decorrentes do uso indiscriminado de sacolinhas é o seu descarte incorreto. Além de poluírem rios, lagos e mares, as sacolas descartadas incorretamente entopem bueiros e provocam enchentes.
Ao mesmo tempo, em todo o país, surgem exemplos de uso consciente das sacolas plásticas. Brasileiros que descobriram que repensar o uso das sacolinhas pode ter impactos significativos para a sustentabilidade da vida no Planeta.
Nesse sentido, o concurso pretende compartilhar iniciativas dos brasileiros, para que as reflexões e práticas de uns possam inspirar muitos outros.
Câmera, luz e ação. Mostre em vídeo de até 1 minuto “O que fazer para reciclar, reutilizar, recusar ou reduzir o uso de sacolas plásticas?"
O Concurso Saco de Ideias é parte da campanha do Ministério do Meio Ambiente Saco é um Saco
Regulamento no site: www.sacodeideias.com.br
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Limpeza Silenciosa
O aspirador Ultra Silencer Green chega às lojas com boas promessas: além de emitir um baixo nível de ruído (cerca de 71 decibéis), tem qualidade que o levam às prateleiras dos produtos verdes, como o baixo consumo de enrgia, 25% menor do que a média dos similares do mercado. Também incorpora 55% dos componentes reciclados em sua reprodução. Da Eletrolux (www.eletrolux.com.br).Fonte: Casa Claudia Dezembro/2009
sábado, 28 de novembro de 2009
Pesquisa Akatu-UNEP revela avanços na percepção dos jovens brasileiros sobre sustentabilidade

Jovens precisam de mais informações sobre o que fazer para adotar hábitos de vida mais sustentáveis
Os jovens brasileiros estão dispostos a receber mais informações sobre sustentabilidade e propensos a adotar hábitos de vida mais sustentáveis. Mas, apesar do avanço nos últimos anos na conscientização e na adoção de atitudes para a preservação ambiental, ainda há muito espaço para divulgação, conscientização e ação dos jovens. “Quando mostramos ao jovem o que ele pode fazer no seu cotidiano, apontando os benefícios econômicos e os impactos na preservação ambiental daquelas ações, a probabilidade de ele mudar de comportamento é alta”, afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.
Essas são algumas das principais conclusões da pesquisa Estilos Sustentáveis de Vida – Resultados de uma pesquisa com jovens brasileiros. Aplicada no Brasil pelo Instituto Akatu em parceria com o Ipsos Public Affairs, a pesquisa mapeia a maneira como os jovens percebem, imaginam e compartilham as práticas sustentáveis, além de buscar identificar como incorporar práticas sustentáveis ao estilo de vida deste público.
A pesquisa faz parte do mapeamento mundial Global Survey on Sustainable Lifestyles, coordenado pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) por meio de seu escritório central em Paris (UNEP — United Nations Environment Programme). O material está sendo desenvolvido no contexto do Processo de Marrakesh, que engloba um esforço intergovernamental global, coordenado pelo PNUMA/UNEP para articular iniciativas locais e regionais de promoção da produção e do consumo sustentáveis.
Em cada um dos países em que o estudo foi desenvolvido, a UNEP escolheu uma entidade parceira, que foi responsável pela aplicação local dos questionários definidos de forma única para a pesquisa global. No Brasil, o Instituto Akatu foi convidado para liderar o estudo, cujo campo foi realizado em abril de 2009. Ao todo, foram entrevistados 1000 jovens de 18 a 35 anos nas nove principais regiões metropolitanas do país e no Distrito Federal.
Combater a violência e erradicar a pobreza são prioridades
Temas políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais foram apresentados aos jovens, que deveriam indicar os mais importantes em sua opinião. Os resultados revelaram que os jovens dão prioridade a “combater o crime, combater conflitos” (32%), “reduzir e erradicar a pobreza, reduzir a diferença entre ricos e pobres” (27%), “melhorar condições econômicas” (18%) e “combater a degradação ambiental e a poluição” (11%).
Se contextualizados apenas os desafios sociais, os mais citados pelos jovens foram “reduzir a poluição (ar, água, solo)” (72%); “melhorar a saúde da população” (72%); “reduzir o desemprego” (70%), “diminuir a diferença entre ricos e pobres” (61%), “reduzir o trabalho infantil” (61%) e “as mudanças climáticas” (61%). Este último item apresentou significativo aumento se comparado ao índice aferido em pesquisa semelhante — Os jovens e o consumo sustentável — realizada pelo Instituto Akatu e pela UNESCO-UNEP em 2001. Naquele ano, apenas 24% dos jovens disseram preocupar-se com as mudanças climáticas. A preocupação com a redução da poluição no ar, na água e no solo cresceu de 60% em 2001 para 72% este ano.
Em um recorte específico sobre as alterações climáticas, perguntou-se aos jovens se, de posse de mais informações sobre o tema, eles adotariam novos hábitos em suas vidas. O cenário aferido foi positivo, com 40% dos entrevistados afirmando que gostariam de ter mais informações e que acreditam que isto contribuiria para que adotassem práticas sustentáveis. Na opinião de 78% dos jovens, as pessoas em geral mudariam de comportamento se estivessem mais informadas sobre os danos ambientais causados pelas mudanças climáticas. Os jovens também concordaram com as afirmações de que “as pessoas deveriam ser mais conscientes sobre o meio ambiente” (45%) e “as pessoas deveriam espalhar informações sobre este tema” (35%).
Cenários mais sustentáveis em Casa, Alimentação e Transporte
O estudo propôs aos entrevistados a análise de contextos cotidianos relativos aos temas “Casa”, “Alimentação” e “Transporte” para, em um primeiro momento, aferir o perfil de comportamento dos jovens quanto a estes temas e, em seguida, propor questões relacionadas à sustentabilidade para detectar o nível de compreensão dos jovens sobre as questões e de aceitação às soluções propostas.
Para cada quesito da vida cotidiana, foram sugeridos três diferentes cenários:
Casa — cenário 1: compostagem urbana; cenário 2: lavanderias coletivas
Alimentação — cenário 1: jardins urbanos; cenário 2: embalagens de legumes e verduras
Transporte — cenário 1: rede de bicicletas; cenário 2: compartilhar o carro
No quesito “Casa”, o cenário de “compostagem urbana” como solução ao desperdício de lixo orgânico, passível de ser implementada em áreas residenciais, foi aceito por 78% dos entrevistados. Já o cenário “lavanderias coletivas”, como solução ao desperdício de energia pelo uso individual de máquinas de lavar, obteve adesão de apenas 22% dos jovens.
Em “Alimentação”, o cenário “jardins urbanos” como proposta alternativa ao cultivo de alimentos em grandes áreas de produção, longe do consumidor final, recebeu a adesão de 52% dos entrevistados, enquanto “embalagens de legumes e verduras”, proposta para que supermercados comprem de produtores locais de maneira mais fácil e conveniente, teve a aceitação de 48% dos jovens.
Por fim, em “Transporte”, 53% dos entrevistados manifestaram adesão ao cenário “rede de bicicletas” como alternativa para o uso de bicicletas na cidade e 47% aceitariam o cenário “compartilhar o carro” para reduzir a poluição gerada pelos veículos automotores.
A partir da análise de dados, percebeu-se que a maioria dos jovens brasileiros ainda não tem incorporado em suas práticas cotidianas ações sustentáveis, embora grande parte deles tenha mostrado uma elevada abertura para praticá-las.
Para Paulo Cidade, diretor da Ipsos Public Affairs, há uma “janela de receptividade” entre os jovens para os temas da sustentabilidade colocados em discussão por esses cenários. “Quando as pessoas eram apresentadas aos cenários mais sustentáveis, procuravam refletir sobre ele”, avalia. Para que os jovens transformem a intenção de mudar em um novo comportamento na prática, ele recomenda que se mostre às pessoas o que elas podem fazer no seu cotidiano: “precisamos falar aos jovens como agir”.
Paulo Cidade destaca ainda um dado importante da pesquisa: 20% dos entrevistados trabalham em empresas com mais de 100 funcionários. Nessas empresas, a porcentagem de funcionários que já ouviu falar em sustentabilidade, responsabilidade social empresarial e mudanças climáticas é maior do que em empresas com menos de 100 funcionários. Isso indica, segundo o diretor da Ipsos, um importante papel pedagógico das grandes empresas em relação a esses temas: “esses funcionários podem ser indutores desses temas nas suas famílias e nas suas comunidades”.
O Livro Verde

Ecologia é coisa séria, mas o tratamento solene que se dá ao assunto muitas vezes assusta ou entedia as pessoas. A proposta inovadora deste livro é mostrar com leveza que a preservação ambiental não é uma missão impossível, não requer abrir mão dos confortos da vida moderna nem voltar ao tempo das cavernas.
Salvar o planeta é uma simples escolha que está ao alcance de todos nós. O primeiro passo é a conscientização de que nossos atos têm consequências e de que precisamos usar os recursos ao nosso dispor de forma mais proveitosa e saudável.
Com anos de experiência na área ambiental, Elizabeth Rogers e Thomas M. Kostigen reuniram dicas fáceis e práticas para reciclar, reutilizar, reduzir o consumo e economizar dinheiro em casa, no trabalho, em viagens, nos esportes e em outras áreas, que vão do entretenimento à construção civil, passando pela tecnologia e as cosmética.
Com apresentação de Cameron Diaz e William McDonough, O livro verde traz ainda depoimentos divertidos de personalidades que abraçaram a causa verde, como Robert Redford, Jennifer Aniston, Owen Wilson e Justin Timberlake.
Pequenas mudanças de hábito podem provocar um grande impacto positivo no meio ambiente. Comece agora.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Vote pelo Planeta
Acordo climático: queremos um futuro sustentável
A mudança para uma economia com baixa dependência de carbono é uma oportunidade de gerar empregos e criar uma sociedade mais saudável, cujo desenvolvimento possa ser mantido por longos períodos. Para isso, precisamos de um novo acordo global de clima que, entre outros pontos, garanta:
• que o aquecimento global fique bem abaixo
do limiar de 2°C;
• que os países industrializados se comprometam
a reduzir suas emissões em 40% até 2020;
• que os países em desenvolvimento concordem
em agir significativamente para que suas
emissões fiquem menores em pelo menos
30% do que a tendência atual de crescimento
em 2020;
• que os países com florestas tropicais reduzam
75% das emissões por desmatamento até 2020.
A Rede WWF acredita que o acordo de Copenhague deve exigir que todos os governos assumam compromissos com a mudança. Isso dará a milhões de pessoas e outras espécies vivas uma oportunidade de sobrevivência.
Precisamos de você para atingir esses objetivos. Vote pelo Planeta, deixe a sua mensagem e divulgue para seus amigos e familiares.
A mudança para uma economia com baixa dependência de carbono é uma oportunidade de gerar empregos e criar uma sociedade mais saudável, cujo desenvolvimento possa ser mantido por longos períodos. Para isso, precisamos de um novo acordo global de clima que, entre outros pontos, garanta:• que o aquecimento global fique bem abaixo
do limiar de 2°C;
• que os países industrializados se comprometam
a reduzir suas emissões em 40% até 2020;
• que os países em desenvolvimento concordem
em agir significativamente para que suas
emissões fiquem menores em pelo menos
30% do que a tendência atual de crescimento
em 2020;
• que os países com florestas tropicais reduzam
75% das emissões por desmatamento até 2020.
A Rede WWF acredita que o acordo de Copenhague deve exigir que todos os governos assumam compromissos com a mudança. Isso dará a milhões de pessoas e outras espécies vivas uma oportunidade de sobrevivência.
Precisamos de você para atingir esses objetivos. Vote pelo Planeta, deixe a sua mensagem e divulgue para seus amigos e familiares.
WWF Brasil - O que é desenvolvimento sustentável?

Até hoje, a humanidade vem explorando os recursos naturais como se eles fossem ilimitados. Várias espécies animais foram caçadas até a extinção. Ecossistemas inteiros praticamente desapareceram, como as florestas europeias, por exemplo. O uso maciço do petróleo para gerar energia e as atividades como a agropecuária reduziram bastante as reservas minerais e vegetais. E vêm gerando emissões de carbono que superaram a capacidade do planeta de absorvê-las, causando o temido aquecimento global.
O desenvolvimento sustentável, pelo qual o WWF-Brasil luta, é o oposto disso. É adotar métodos, processos e tecnologias, além da mudança de hábitos das populações, que possam sustentar o progresso por longos períodos, ao mesmo tempo em que permitem a renovação dos recursos naturais.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Emissão de poluentes aumenta 62% em 15 anos no País
Por João Domingos, Agencia Estado
As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram 62% entre 1990 e 2005, passando de 1,36 bilhão do toneladas para 2,2 bilhões, de acordo com os dados preliminares do segundo inventário brasileiro sobre mudanças climáticas. Os números foram apresentados hoje à Comissão do Meio Ambiente do Senado pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Como em 2005 o mundo emitiu cerca de 50 bilhões de toneladas, a participação brasileira no total global é de cerca de 4% a 4,5%, com média de 4,2%.
Rezende disse que não considera grave o aumento de 62% nas emissões de gases na atmosfera. "Comparado com o que é emitido pela China e pela Índia, é um índice pequeno", disse. Os dois países em desenvolvimento, segundo informações dos cientistas ligados ao estudo do aquecimento global, dobraram suas emissões de gases no período de quinze anos. Além do mais, os relatórios que fazem não são confiáveis. "Há grandes questionamentos internacionais quanto ao trabalho destes países", disse Sérgio Rezende.
O setor que mais emitiu dióxido de carbono (CO2) no Brasil nos últimos 15 anos foi o que tecnicamente é chamado de "mudança no uso da terra e florestas", que inclui o desmatamento na Amazônia e nos outros biomas brasileiros (cerrado, caatinga, pantanal, mata atlântica e pampas). O setor passou de 746 milhões de toneladas em 1990 para 1,268 bilhão em 2005 - em 2004 foi verificado um pico no desmatamento da Amazônia, com 27.423 quilômetros quadrados. Em seguida, houve queda acentuada no desmatamento da região.
Dois setores reduziram proporcionalmente suas emissões nos quinze anos entre 1990 e 2005: industrial e agrícola. De acordo com cientistas que participaram das pesquisas para o inventário, duas são as razões: ou por conseguirem melhorar seus índices ou porque outros passaram a emitir mais. As indústrias jogaram na atmosfera 26 mil toneladas de gases de efeito estufa em 1990 e 37 mil em 2005, caindo de uma participação de 2% para 1,7% no total brasileiro. E a agricultura, que em 1990 jogou na atmosfera 346 mil toneladas, contribuiu com 487 mil em 2005, numa participação que caiu de 25,4% para 22,1%.
As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram 62% entre 1990 e 2005, passando de 1,36 bilhão do toneladas para 2,2 bilhões, de acordo com os dados preliminares do segundo inventário brasileiro sobre mudanças climáticas. Os números foram apresentados hoje à Comissão do Meio Ambiente do Senado pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Como em 2005 o mundo emitiu cerca de 50 bilhões de toneladas, a participação brasileira no total global é de cerca de 4% a 4,5%, com média de 4,2%.
Rezende disse que não considera grave o aumento de 62% nas emissões de gases na atmosfera. "Comparado com o que é emitido pela China e pela Índia, é um índice pequeno", disse. Os dois países em desenvolvimento, segundo informações dos cientistas ligados ao estudo do aquecimento global, dobraram suas emissões de gases no período de quinze anos. Além do mais, os relatórios que fazem não são confiáveis. "Há grandes questionamentos internacionais quanto ao trabalho destes países", disse Sérgio Rezende.
O setor que mais emitiu dióxido de carbono (CO2) no Brasil nos últimos 15 anos foi o que tecnicamente é chamado de "mudança no uso da terra e florestas", que inclui o desmatamento na Amazônia e nos outros biomas brasileiros (cerrado, caatinga, pantanal, mata atlântica e pampas). O setor passou de 746 milhões de toneladas em 1990 para 1,268 bilhão em 2005 - em 2004 foi verificado um pico no desmatamento da Amazônia, com 27.423 quilômetros quadrados. Em seguida, houve queda acentuada no desmatamento da região.
Dois setores reduziram proporcionalmente suas emissões nos quinze anos entre 1990 e 2005: industrial e agrícola. De acordo com cientistas que participaram das pesquisas para o inventário, duas são as razões: ou por conseguirem melhorar seus índices ou porque outros passaram a emitir mais. As indústrias jogaram na atmosfera 26 mil toneladas de gases de efeito estufa em 1990 e 37 mil em 2005, caindo de uma participação de 2% para 1,7% no total brasileiro. E a agricultura, que em 1990 jogou na atmosfera 346 mil toneladas, contribuiu com 487 mil em 2005, numa participação que caiu de 25,4% para 22,1%.
Supermercados ecoeficientes procuram disseminar práticas de consumo consciente
Conceito de loja verde vai muito além de prédios que economizam água ou energia
Por Rogério Ferro, do Instituto Akatu
Uma construção cujos impactos negativos sobre a natureza são minimizados, que use material proveniente de cadeias produtivas limpas e, sempre que possível, reciclado, além de possuir sistemas de uso racional de água e de otimização no consumo de energia proveniente de fontes renováveis. Esses são os principais critérios que precisam ser atendidos para que um edifício seja considerado ambientalmente correto, causando o menor impacto possível durante sua construção e seu uso.
No entanto, para uma loja de varejo, cumprir essas exigências é apenas a primeira de uma série de ações que podem contribuir para a preservação ambiental e para o desenvolvimento social. No Brasil, iniciativas que vão além da estrutura física dos prédios começam a ser incorporadas pelos grandes grupos de varejo, transformando as lojas verdes em lugares de disseminação de conceitos e práticas do consumo consciente.
“Por serem locais em que as tomadas de decisões de consumo se dão de forma mais direta e imediata, os pontos de varejo têm possibilidades enormes na formação da consciência do consumidor para os problemas ambientais derivados dos padrões de consumo que temos hoje”, defende Aron Belinky, consultor do Akatu e especialista em responsabilidade social, sustentabilidade e consumo sustentável.
Em junho de 2008, o Grupo Pão de Açúcar inaugurou, na cidade paulista de Indaiatuba, a primeira loja verde do Brasil. Além das características que permitem, por exemplo, menor gasto de água e energia, há iniciativas como uma seção de produtos orgânicos 50% maior do que existe habitualmente em lojas convencionais e um bicicletário para clientes e funcionários. O Walmart conta com duas lojas ecoeficientes — uma no Rio de Janeiro, outra em São Paulo — com mais de 60 itens que as diferenciam das lojas comuns, como maior economia de água e de energia e programas de gestão de resíduos sólidos. De acordo com rede, os novos hipermercados das bandeiras Walmart, Big, Bom Preço e Supercenter seguirão o modelo ecoeficiente.
Para as redes varejistas, o conceito de loja verde traz implícita a necessidade de ações de incentivo às práticas de consumo consciente e de sustentabilidade. “O que buscamos é um padrão que atenda a complexidade do conceito de sustentabilidade e não simplesmente a certificação do edifício como loja verde”, afirma Hugo Bethlem, vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar.
Essa intenção se reflete no comportamento de consumidores, caso da dentista Maria Estela, cliente da loja ecoeficiente do Walmart no bairro paulistano do Morumbi. Depois que descobriu a Estação de Reciclagem da loja, ela dirige pouco mais de 2 km, duas a três vezes por semana, para depositar lá o material reciclável que separa em casa. “Como moro em apartamento não muito espaçoso, era difícil separar lixo para reciclagem. Agora, essa loja é praticamente uma extensão da minha casa”, conta. O analista de sistemas Douglas Xavier, que mora mais próximo, aproveita duplamente a viagem: “venho a pé depositar o lixo e volto para casa correndo para manter a forma.”
Recicláveis nem saem da loja
Os pontos de recolha de material reciclável são a iniciativa mais comum de incentivo e auxílio aos consumidores para a prática do descarte correto dos resíduos. Nesses pontos, é possível descartar materiais feitos de plástico, papel, vidro e alumínio. Em geral, as embalagens constituem a maioria dos resíduos gerados no cotidiano doméstico. Por isso, começam a aparecer soluções que livram o consumidor brasileiro de verdadeiras gincanas para o acondicionamento de lixo dentro de casa.
A mais nova iniciativa propõe a reciclagem pré-consumo dentro das lojas. Na prática, o consumidor tem a possibilidade de descartar ainda no supermercado as embalagens desnecessárias, diminuindo significativamente o volume dos resíduos gerados dentro de casa.
No Grupo Pão de Açúcar, o programa foi lançado em março de 2008 e hoje está presente em 21 lojas. “Essa inovação auxilia a rentabilidade da indústria de reciclagem, porque ela recebe o material em condições ótimas de higiene e conservação, o que às vezes não acontece quando o material vem de casa”, afirma Hugo Bethlem. “São mais de 30 mil toneladas de resíduos que, desse modo, recebem a destinação correta, beneficiando as cooperativas de catadores”, contabiliza. “O mais importante, porém, é a conscientização das pessoas para o devido descarte de materiais recicláveis, poupando os aterros sanitários desse material.”
Na rede Carrefour, o programa de reciclagem pré-consumo da rede, aplicado somente na unidade de Piracicaba, interior de São Paulo, ajudou a elevar significativamente o volume do material recolhido, que hoje é de 3200 kg mensais. “Sempre buscamos fazer das nossas lojas agentes de promoção do consumo consciente”, explica Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Carrefour.
Menos sacos plásticos, mais sacolas retornáveis
A necessidade de reduzir o consumo de sacos plásticos no Brasil, que atualmente chega a 12 bilhões de unidades por ano, tem levado as redes de varejo a estimular os clientes a substituí-los por outras alternativas. O Carrefour e o Walmart, por exemplo, são parceiros do Ministério do Meio Ambiente na campanha Saco é um Saco.
O uso de sacolas retornáveis é uma das principais alternativas para o consumidor abandonar os sacos plásticos. Desde o lançamento, em maio de 2008, o Walmart comemora a marca de mais de 2 milhões de sacolas retornáveis vendidas, número que dá boas perspectivas para meta estabelecida pela rede de reduzir uso de sacolas plásticas em 50% até 2013.
Para que esse objetivo seja atingido, o Walmart lançou no final de 2008 um programa que dá ao cliente o crédito por sacola plástica não utilizada. O valor que o supermercado pagaria pela sacola (R$0,03) volta em crédito para o consumidor que deixar de usá-la. “Essa iniciativa nos possibilitou tirar do meio ambiente 12 milhões de sacolas e concedeu mais de R$ 360 mil em descontos para clientes” comemora Christiane Canavero, diretora de sustentabilidade do Walmart.
Educação para o consumo consciente
Os grupos de varejo têm apostado também na formação de funcionários para desempenharem o papel de multiplicadores dos conceitos do consumo consciente para os clientes. Paulo Pianez, do Carrefour, evidencia o papel protagonista dos centros de varejo e a importância de fazer investimentos em programas de educação dos funcionários como meio de levar informações para o consumidor. “Temos e assumimos essa responsabilidade. São mais de 1,5 milhão de pessoas que visitam nossas lojas por dia. Se formos eficientes com nossas práticas de abordagem ao consumidores, podemos considerar que, a cada quatro meses, chegamos a uma população equivalente à do Brasil”, analisa.
Entre junho a setembro de 2009, o Instituto Akatu realizou oficinas de capacitação de multiplicadores sobre o conceito e as práticas do consumo consciente para colaboradores da loja do Carrefour em Piracicaba. Desde 2007, o Akatu desenvolve com o Walmart o projeto “Educação para o Consumo Consciente”, voltado para os funcionários das lojas em todo o Brasil. Em 2008, foi realizado também o projeto “Cliente Consciente Walmart”, que disseminou conceitos e práticas de consumo consciente entre clientes da rede.
Para o consultor Aron Belinky, na caminhada para estabelecer padrões sustentáveis de oferta de produtos e serviços, é fundamental que o varejo assuma a responsabilidade de dar informações ao consumidor sobre o que ele está comprando. “Isso se faz oferecendo ao consumidor informações sobre a procedência dos produtos e dando a ele opções de diferentes de marca e em formato diversificado para cada produto vendido”, afirma. “As empresas dificilmente vão abandonar as práticas de estímulo ao consumo. Entretanto, já é um passo à frente se elas fizerem isso criando um ambiente que proporcione ao consumidor a possibilidade de escolha de acordo com a sua consciência de consumo, e não por impulso”.
Belinky conclui declarando que o ideal é que, para cada produto vendido na loja, esteja disponível ao consumidor o maior número de marcas e em vários formatos — como a possibilidade de comprar um produto a granel, por exemplo. “Assim, ele pode escolher os produtos baseado na qualidade, premiando marcas socialmente e ambientalmente responsáveis, ou então considerando a possibilidade de gerar menos resíduos”.
O Carrefour e o Walmart são parceiros estratégicos do Akatu e o Grupo Pão de Açucar, associado ouro.
Por Rogério Ferro, do Instituto Akatu
Uma construção cujos impactos negativos sobre a natureza são minimizados, que use material proveniente de cadeias produtivas limpas e, sempre que possível, reciclado, além de possuir sistemas de uso racional de água e de otimização no consumo de energia proveniente de fontes renováveis. Esses são os principais critérios que precisam ser atendidos para que um edifício seja considerado ambientalmente correto, causando o menor impacto possível durante sua construção e seu uso.
No entanto, para uma loja de varejo, cumprir essas exigências é apenas a primeira de uma série de ações que podem contribuir para a preservação ambiental e para o desenvolvimento social. No Brasil, iniciativas que vão além da estrutura física dos prédios começam a ser incorporadas pelos grandes grupos de varejo, transformando as lojas verdes em lugares de disseminação de conceitos e práticas do consumo consciente.
“Por serem locais em que as tomadas de decisões de consumo se dão de forma mais direta e imediata, os pontos de varejo têm possibilidades enormes na formação da consciência do consumidor para os problemas ambientais derivados dos padrões de consumo que temos hoje”, defende Aron Belinky, consultor do Akatu e especialista em responsabilidade social, sustentabilidade e consumo sustentável.
Em junho de 2008, o Grupo Pão de Açúcar inaugurou, na cidade paulista de Indaiatuba, a primeira loja verde do Brasil. Além das características que permitem, por exemplo, menor gasto de água e energia, há iniciativas como uma seção de produtos orgânicos 50% maior do que existe habitualmente em lojas convencionais e um bicicletário para clientes e funcionários. O Walmart conta com duas lojas ecoeficientes — uma no Rio de Janeiro, outra em São Paulo — com mais de 60 itens que as diferenciam das lojas comuns, como maior economia de água e de energia e programas de gestão de resíduos sólidos. De acordo com rede, os novos hipermercados das bandeiras Walmart, Big, Bom Preço e Supercenter seguirão o modelo ecoeficiente.
Para as redes varejistas, o conceito de loja verde traz implícita a necessidade de ações de incentivo às práticas de consumo consciente e de sustentabilidade. “O que buscamos é um padrão que atenda a complexidade do conceito de sustentabilidade e não simplesmente a certificação do edifício como loja verde”, afirma Hugo Bethlem, vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar.
Essa intenção se reflete no comportamento de consumidores, caso da dentista Maria Estela, cliente da loja ecoeficiente do Walmart no bairro paulistano do Morumbi. Depois que descobriu a Estação de Reciclagem da loja, ela dirige pouco mais de 2 km, duas a três vezes por semana, para depositar lá o material reciclável que separa em casa. “Como moro em apartamento não muito espaçoso, era difícil separar lixo para reciclagem. Agora, essa loja é praticamente uma extensão da minha casa”, conta. O analista de sistemas Douglas Xavier, que mora mais próximo, aproveita duplamente a viagem: “venho a pé depositar o lixo e volto para casa correndo para manter a forma.”
Recicláveis nem saem da loja
Os pontos de recolha de material reciclável são a iniciativa mais comum de incentivo e auxílio aos consumidores para a prática do descarte correto dos resíduos. Nesses pontos, é possível descartar materiais feitos de plástico, papel, vidro e alumínio. Em geral, as embalagens constituem a maioria dos resíduos gerados no cotidiano doméstico. Por isso, começam a aparecer soluções que livram o consumidor brasileiro de verdadeiras gincanas para o acondicionamento de lixo dentro de casa.
A mais nova iniciativa propõe a reciclagem pré-consumo dentro das lojas. Na prática, o consumidor tem a possibilidade de descartar ainda no supermercado as embalagens desnecessárias, diminuindo significativamente o volume dos resíduos gerados dentro de casa.
No Grupo Pão de Açúcar, o programa foi lançado em março de 2008 e hoje está presente em 21 lojas. “Essa inovação auxilia a rentabilidade da indústria de reciclagem, porque ela recebe o material em condições ótimas de higiene e conservação, o que às vezes não acontece quando o material vem de casa”, afirma Hugo Bethlem. “São mais de 30 mil toneladas de resíduos que, desse modo, recebem a destinação correta, beneficiando as cooperativas de catadores”, contabiliza. “O mais importante, porém, é a conscientização das pessoas para o devido descarte de materiais recicláveis, poupando os aterros sanitários desse material.”
Na rede Carrefour, o programa de reciclagem pré-consumo da rede, aplicado somente na unidade de Piracicaba, interior de São Paulo, ajudou a elevar significativamente o volume do material recolhido, que hoje é de 3200 kg mensais. “Sempre buscamos fazer das nossas lojas agentes de promoção do consumo consciente”, explica Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Carrefour.
Menos sacos plásticos, mais sacolas retornáveis
A necessidade de reduzir o consumo de sacos plásticos no Brasil, que atualmente chega a 12 bilhões de unidades por ano, tem levado as redes de varejo a estimular os clientes a substituí-los por outras alternativas. O Carrefour e o Walmart, por exemplo, são parceiros do Ministério do Meio Ambiente na campanha Saco é um Saco.
O uso de sacolas retornáveis é uma das principais alternativas para o consumidor abandonar os sacos plásticos. Desde o lançamento, em maio de 2008, o Walmart comemora a marca de mais de 2 milhões de sacolas retornáveis vendidas, número que dá boas perspectivas para meta estabelecida pela rede de reduzir uso de sacolas plásticas em 50% até 2013.
Para que esse objetivo seja atingido, o Walmart lançou no final de 2008 um programa que dá ao cliente o crédito por sacola plástica não utilizada. O valor que o supermercado pagaria pela sacola (R$0,03) volta em crédito para o consumidor que deixar de usá-la. “Essa iniciativa nos possibilitou tirar do meio ambiente 12 milhões de sacolas e concedeu mais de R$ 360 mil em descontos para clientes” comemora Christiane Canavero, diretora de sustentabilidade do Walmart.
Educação para o consumo consciente
Os grupos de varejo têm apostado também na formação de funcionários para desempenharem o papel de multiplicadores dos conceitos do consumo consciente para os clientes. Paulo Pianez, do Carrefour, evidencia o papel protagonista dos centros de varejo e a importância de fazer investimentos em programas de educação dos funcionários como meio de levar informações para o consumidor. “Temos e assumimos essa responsabilidade. São mais de 1,5 milhão de pessoas que visitam nossas lojas por dia. Se formos eficientes com nossas práticas de abordagem ao consumidores, podemos considerar que, a cada quatro meses, chegamos a uma população equivalente à do Brasil”, analisa.
Entre junho a setembro de 2009, o Instituto Akatu realizou oficinas de capacitação de multiplicadores sobre o conceito e as práticas do consumo consciente para colaboradores da loja do Carrefour em Piracicaba. Desde 2007, o Akatu desenvolve com o Walmart o projeto “Educação para o Consumo Consciente”, voltado para os funcionários das lojas em todo o Brasil. Em 2008, foi realizado também o projeto “Cliente Consciente Walmart”, que disseminou conceitos e práticas de consumo consciente entre clientes da rede.
Para o consultor Aron Belinky, na caminhada para estabelecer padrões sustentáveis de oferta de produtos e serviços, é fundamental que o varejo assuma a responsabilidade de dar informações ao consumidor sobre o que ele está comprando. “Isso se faz oferecendo ao consumidor informações sobre a procedência dos produtos e dando a ele opções de diferentes de marca e em formato diversificado para cada produto vendido”, afirma. “As empresas dificilmente vão abandonar as práticas de estímulo ao consumo. Entretanto, já é um passo à frente se elas fizerem isso criando um ambiente que proporcione ao consumidor a possibilidade de escolha de acordo com a sua consciência de consumo, e não por impulso”.
Belinky conclui declarando que o ideal é que, para cada produto vendido na loja, esteja disponível ao consumidor o maior número de marcas e em vários formatos — como a possibilidade de comprar um produto a granel, por exemplo. “Assim, ele pode escolher os produtos baseado na qualidade, premiando marcas socialmente e ambientalmente responsáveis, ou então considerando a possibilidade de gerar menos resíduos”.
O Carrefour e o Walmart são parceiros estratégicos do Akatu e o Grupo Pão de Açucar, associado ouro.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
A Cal em Questão
Integrante da cesta básica de materiais de construção, a cal entra na composição de argamassas e misturas para pintura. O material provém da extração de calcário, atividade mineradora que requer licenças, gerenciamento e mitigação de impactos ambientais. Há 15 anos, o grande desafio do setor era aumentar a qualidade dos produtos. Em 1995, quando teve início o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade de Habitat (PBQP-H), o índice de não conformidade beirava os 90%. De lá pra cá, caiu para 15%. Agora, grandes consumidores passaram a exigir mais: compromisso com boas práticas de produção, gestão ambiental e saúde do trabalhador. Por isso, este ano a Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC) e o Instituto Totum lançaram o Programa Selo ABPC de Responsabilidade Sócio Ambiental. "Vamos valorizar as empresas que atendem a esses critérios e incentivar as outras a incorporá-los", diz Mauro Adamo Seabra, secretário executivo da entidade. "É uma medida útil, que ajuda o consumidor", avalia Vanderley John, do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).
Fonte: Arquitetura e Construção - Novembro/2009
Reportagem: Giuliana Capello
Fonte: Arquitetura e Construção - Novembro/2009
Reportagem: Giuliana Capello
SP é o 1º Estado a aprovar meta de mudança climática
Texto prevê reduzir emissões de CO2 em 20%; projeto segue para sanção.
Por Afra Balazina e Alexandre Gonçalves
A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou ontem à noite a Política Estadual de Mudanças Climáticas. A lei prevê que o Estado reduza em 20% suas emissões de gás carbônico (CO2) até 2020, em relação aos níveis de 2005. A cada cinco anos, até 2020, o governo poderá fixar metas intermediárias para atingir o objetivo. O projeto segue para sanção do governador José Serra (PSDB).
Essa é a primeira lei estadual com meta de corte de gases de efeito estufa aprovada no País. A lei municipal de mudança climática, aprovada em junho na capital paulista, tem meta mais ambiciosa: cortar, até 2012, em 30% as emissões de gases-estufa, em relação aos valores verificados em inventário concluído em 2005.
O secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, considerou a aprovação uma vitória e ressaltou que houve oposição do setor industrial à lei, em razão da imposição do corte de CO2, principal gás causador do aquecimento global. Para ele, o Estado saiu na frente dos demais e do governo federal na questão e pode agora ser "copiado". "Agora São Paulo tem uma lei moderna, com compromissos. O Estado não tem medo da agenda de mudança do clima. Entendemos o desafio como oportunidade para construir uma economia verde."
O maior foco do governo para a redução das emissões será o setor de transporte. A lei prevê, por exemplo, a adoção de metas para a implantação de rede metroferroviária, de corredores de ônibus e de um bilhete único para incentivar o uso do transporte público.
O deputado estadual Vaz de Lima (PSDB), líder do governo na Assembleia Legislativa, acredita que o Estado dá um exemplo para o Brasil de como atacar de forma efetiva o problema das emissões. "São Paulo vai levar essa experiência para Copenhague no início de dezembro", afirma Vaz de Lima. Lá acontecerá a conferência do clima da ONU, na qual os países industrializados precisam definir que metas de redução de emissão de gases de efeito estufa adotarão a partir de 2013. Países em desenvolvimento, como o Brasil, não precisam ter metas obrigatórias, mas devem agir para alterar a curva de crescimento das emissões.
A lei estadual também estipula que sejam adotadas metas de eficiência para os diversos setores da economia e que, a cada cinco anos, seja publicado um inventário de emissões discriminado por fontes de emissão. O primeiro deverá ser comunicado até dezembro de 2010.
CONVERSA MOLE
O deputado estadual Adriano Diogo (PT), que já foi secretário municipal do Meio Ambiente em São Paulo, chamou a legislação de clima do Estado de "lei chuchu". "É incolor, inodora e insípida - e muito vaga. Não fala na queima da palha da cana e não acena com a implantação da inspeção veicular nem com a redução da poluição dos combustíveis." Para ele, a lei não passa de "conversa mole". Em sua avaliação, pelo fato de o Estado ainda não ter inventário e não sabe quanto é sua emissão, a meta é vazia.
AÇOES PREVENTIVAS
Meta: Reduzir em 20% as emissões de CO2, relativas a 2005, em 2020. O Executivo pode fixar metas intermediárias a cada cinco anos
Inventário: O Estado deve publicar um inventário das emissões de gases-estufa em dezembro de 2010, que vai nortear as metas
Transporte: Um plano de transporte sustentável deve ser apresentado em até um ano
Licitação: Deve ser organizado um modelo de licitação pública sustentável em até um ano
Adaptação: Deve ser elaborado um plano participativo de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, contemplando catástrofes de origem climática, em até dois anos
Carros: O Estado tornará públicos, em até seis meses, os dados sobre emissões de gases-estufa e outros poluentes dos veículos homologados pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve)
Zoneamento: O governo tem até dois anos para implantar o Zoneamento Econômico Ecológico
Por Afra Balazina e Alexandre Gonçalves
A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou ontem à noite a Política Estadual de Mudanças Climáticas. A lei prevê que o Estado reduza em 20% suas emissões de gás carbônico (CO2) até 2020, em relação aos níveis de 2005. A cada cinco anos, até 2020, o governo poderá fixar metas intermediárias para atingir o objetivo. O projeto segue para sanção do governador José Serra (PSDB).
Essa é a primeira lei estadual com meta de corte de gases de efeito estufa aprovada no País. A lei municipal de mudança climática, aprovada em junho na capital paulista, tem meta mais ambiciosa: cortar, até 2012, em 30% as emissões de gases-estufa, em relação aos valores verificados em inventário concluído em 2005.
O secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, considerou a aprovação uma vitória e ressaltou que houve oposição do setor industrial à lei, em razão da imposição do corte de CO2, principal gás causador do aquecimento global. Para ele, o Estado saiu na frente dos demais e do governo federal na questão e pode agora ser "copiado". "Agora São Paulo tem uma lei moderna, com compromissos. O Estado não tem medo da agenda de mudança do clima. Entendemos o desafio como oportunidade para construir uma economia verde."
O maior foco do governo para a redução das emissões será o setor de transporte. A lei prevê, por exemplo, a adoção de metas para a implantação de rede metroferroviária, de corredores de ônibus e de um bilhete único para incentivar o uso do transporte público.
O deputado estadual Vaz de Lima (PSDB), líder do governo na Assembleia Legislativa, acredita que o Estado dá um exemplo para o Brasil de como atacar de forma efetiva o problema das emissões. "São Paulo vai levar essa experiência para Copenhague no início de dezembro", afirma Vaz de Lima. Lá acontecerá a conferência do clima da ONU, na qual os países industrializados precisam definir que metas de redução de emissão de gases de efeito estufa adotarão a partir de 2013. Países em desenvolvimento, como o Brasil, não precisam ter metas obrigatórias, mas devem agir para alterar a curva de crescimento das emissões.
A lei estadual também estipula que sejam adotadas metas de eficiência para os diversos setores da economia e que, a cada cinco anos, seja publicado um inventário de emissões discriminado por fontes de emissão. O primeiro deverá ser comunicado até dezembro de 2010.
CONVERSA MOLE
O deputado estadual Adriano Diogo (PT), que já foi secretário municipal do Meio Ambiente em São Paulo, chamou a legislação de clima do Estado de "lei chuchu". "É incolor, inodora e insípida - e muito vaga. Não fala na queima da palha da cana e não acena com a implantação da inspeção veicular nem com a redução da poluição dos combustíveis." Para ele, a lei não passa de "conversa mole". Em sua avaliação, pelo fato de o Estado ainda não ter inventário e não sabe quanto é sua emissão, a meta é vazia.
AÇOES PREVENTIVAS
Meta: Reduzir em 20% as emissões de CO2, relativas a 2005, em 2020. O Executivo pode fixar metas intermediárias a cada cinco anos
Inventário: O Estado deve publicar um inventário das emissões de gases-estufa em dezembro de 2010, que vai nortear as metas
Transporte: Um plano de transporte sustentável deve ser apresentado em até um ano
Licitação: Deve ser organizado um modelo de licitação pública sustentável em até um ano
Adaptação: Deve ser elaborado um plano participativo de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, contemplando catástrofes de origem climática, em até dois anos
Carros: O Estado tornará públicos, em até seis meses, os dados sobre emissões de gases-estufa e outros poluentes dos veículos homologados pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve)
Zoneamento: O governo tem até dois anos para implantar o Zoneamento Econômico Ecológico
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